Por Stella Ferrari — Em um ambiente financeiro que exige precisão de engenharia, os mercados iniciaram a semana sob forte incerteza em relação às possíveis mudanças nas tarifas americanas. A cautela prevalece enquanto investidores recalibram posições, avaliando riscos geopolíticos e políticas comerciais que podem operar como freios fiscais sobre o comércio global.
As bolsas europeias mostraram movimentações contidas: Londres e Paris praticamente estacionadas, com Frankfurt registrando um recuo moderado. Em contrapartida, Milão destacou-se como a melhor praça, avançando +0,81% nesta sessão — seguindo o rali de +1,48% observado na sexta-feira.
O protagonismo em Piazza Affari pertenceu à Enel, que subiu cerca de +5% após a apresentação do plano industrial até 2028. O documento prevê um maquinário de investimentos de 53 bilhões de euros — um incremento de 10 bilhões em relação ao plano anterior — com uma clara calibragem estratégica: 20 bilhões destinados às renováveis e 26 bilhões para as redes. A empresa projeta ainda uma elevação do lucro por ação, passando de 0,69 euro em 2025 para uma faixa de 0,80-0,82 euro.
No pregão, o papel da Enel foi o mais negociado, com um volume financeiro de aproximadamente 254 milhões de euros às 12h20. Esse movimento reflete não apenas confiança na execução do plano, mas também a leitura do mercado sobre a aceleração das tendências de transição energética — um verdadeiro motor de longo prazo para o setor elétrico.
O setor financeiro contribuiu positivamente para o índice milanês: Unicredit avançou +1,35% e Bper Banca registrou +1,45%. Entre os destaques negativos, Leonardo recuou -1,77%, pressionada por fatores específicos do setor de defesa e tecnologia.
Do outro lado do Atlântico, os índices futuros que antecipam a abertura de Wall Street mostravam queda em torno de meio ponto percentual, refletindo a incerteza global sobre medidas comerciais dos EUA. Na Ásia, o tom foi distinto: Hong Kong ganhou +2,5% e o Kospi de Seul anotou mais um recorde, com alta de +0,65% — sinal de que a aceleração de certos mercados segue com impulso próprio.
No mercado de commodities, o petróleo corrigiu cerca de meio ponto percentual em relação aos máximos de sexta-feira, mas o Brent manteve-se acima de 70 dólares por barril, acumulando +4% na semana. A alta semanal é atribuída a novos ventos geopolíticos no Irã, que, por ora, mantêm primas de risco no preço do barril.
Em síntese, o mercado opera como uma máquina de precisão: é necessário afinar expectativas e manter liquidez enquanto a política de tarifas dos EUA — e os desdobramentos geopolíticos — definem a próxima marcha. Vou acompanhando a calibragem de juros e as respostas de mercado, pronto para ajustar a estratégia conforme o cenário evolui.






















