Em um gesto simbólico que sela a presença da Itália no palco maior do esporte mundial, a presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, outorgou o Ordine Olimpico em ouro — a mais alta distinção do COI — ao Presidente da República, Sergio Mattarella, e à primeira-ministra, Giorgia Meloni. O anúncio foi feito pelo presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, ao final da coletiva que marcou o término dos Jogos de Milano Cortina 2026.
Instituída em 1975, a Ordem Olímpica em ouro é conferida a indivíduos que prestaram serviços excepcionais ao Movimento Olímpico ou que contribuíram decisivamente para o desenvolvimento do esporte. A escolha por homenagear figuras institucionais como Mattarella e Meloni insere a homenagem num quadro ampliado: mais que um reconhecimento pessoal, trata-se de um gesto para consolidar a ligação entre Estado, organização e legado dos Jogos.
Além das honrarias em ouro, o Executivo do COI atribuiu a Ordem Olímpica em prata a um grupo de dirigentes e autoridades que tiveram papel direto na realização da Olimpíada: os ministros Andrea Abodi (Esporte e Juventude), Matteo Salvini (Infraestrutura e Transportes, vice-premier) e Giancarlo Giorgetti (Economia e Finanças); o presidente de Simico, Fabio Massimo Saldini; os prefeitos de Milão e Cortina, Giuseppe Sala e Gianluca Lorenzi; os presidentes das regiões Lombardia e Vêneto, Attilio Fontana e Alberto Stefani; os presidentes das Províncias Autônomas de Trento e Bolzano, Maurizio Fugatti e Arno Kompatscher; o presidente da Fundação Milano Cortina 2026, Giovanni Malagò; o CEO Andrea Varnier e o diretor de operações dos Jogos, Andrea Francisi.
Na coletiva, Luciano Buonfiglio traçou um balanço que mistura orgulho e análise: “É uma Itália da 30 e lode“, declarou, referindo-se ao recorde de 30 medalhas conquistadas. Para o presidente do CONI, os resultados não surgiram por acaso. Ele recordou primados históricos e trajetórias individuais — de Arianna Fontana, agora com 14 medalhas olímpicas, a Francesca Lollobrigida, ouro nos 3.000 e 5.000 metros, e a trajetória emotiva de Federica Brignone.
Buonfiglio também enumerou conquistas que marcam uma renovação estrutural: o primeiro ouro italiano no biatlo com Lisa Vitozzi, a primeira medalha por equipes no patinação artística, os ouros no trenó feminino e masculino dentro de meia hora, e vitórias no freestyle com nomes como Simone De Ramedis, Federico Tomasoni e Flora Tabanelli. Ressaltou ainda a inédita medalha no team sprint do esqui cross-country com Barp e Pellegrino, e a história de perseverança de Roland Fischnaller, em sua sétima Olimpíada.
Traçando um panorama mais amplo, Buonfiglio comparou os desempenhos de Parisi 2024 e Milano-Cortina 2026 e concluiu que, somados, os resultados posicionam a Itália entre os quatro maiores polos olímpicos do mundo. A leitura do presidente do CONI enfatiza um fenômeno que transcende pódios: é a combinação de políticas públicas, sistemas de formação e coesão institucional que permite um salto qualitativo.
Ao encerrar a intervenção, Buonfiglio assinalou a raridade do contexto atual: nunca antes, na sua avaliação, o Governo havia mostrado tanta atenção e disponibilidade ao movimento esportivo. O reconhecimento do COI, portanto, funciona também como validação externa desse arranjo nacional — uma imagem de projeto e de Estado associada ao esporte. Resta agora a pergunta sobre a sustentabilidade desse momento de glória: como preservar estruturas, financiar formação e transformar o capital simbólico em políticas duradouras para as próximas gerações?
Nota editorial: este texto foi produzido para a Espresso Italia com foco em análise institucional e legados esportivos, buscando além do fato a compreensão do que a homenagem do COI representa para a sociedade italiana.






















