Por Marco Severini, Espresso Italia — Em um movimento que redesenha, com pressa e sem hesitações, as linhas de influência no tabuleiro do comércio internacional, o presidente Trump anunciou o aumento dos dazi — as tarifas sobre importações globais — para 15%, com efeito imediato. A decisão surge na esteira do pronunciamento da Corte Suprema dos Estados Unidos sobre a legalidade das medidas aduaneiras e altera institucionalmente a estratégia econômica exterior da Casa Branca.
Num post publicado na rede Truth, Trump justificou a medida afirmando que muitos países “têm explorado” os Estados Unidos por décadas e que a elevação para 15% é um patamar “plenamente permitido e juridicamente testado”. O presidente sublinhou que, após uma leitura minuciosa do acórdão da Corte que classificou como “ridículo, mal redigido e extraordinariamente antiamericano”, a administração opta por essa escalada imediata.
O presidente também aproveitou a plataforma para elogiar os três magistrados que divergiram do entendimento majoritário do tribunal: o juiz Brett Kavanaugh — a quem chamou de novo herói — e os juízes Clarence Thomas e Samuel Alito. Em sua mensagem, Trump amarra o gesto jurídico à sua agenda política, prometendo que, nos próximos meses, a administração definirá e publicará as novas tarifas “legalmente autorizadas” que permitirão a continuidade do sucesso do MAGA.
Em Washington e nas capitais europeias, a reação foi rápida e calculada. O chanceler alemão, Friedrich Merz, advertiu que “a incerteza é o veneno mais forte para as economias da Europa e dos Estados Unidos”. Merz anunciou que buscará um diálogo aprofundado com os parceiros europeus para articular uma resposta unificada antes de sua visita prevista a Washington — lembrando que a política tarifária é competência da União Europeia e não dos Estados-membros isoladamente.
Na França, o presidente Emmanuel Macron afirmou que será feita uma avaliação cuidadosa das consequências e que “nos adaptaremos” às novas condições. Paralelamente, Macron reconheceu com certa satisfação o funcionamento dos freios e contrapesos nos Estados Unidos, elogiando o Estado de direito e a existência de poderes e contrapoderes nas democracias.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro global: a elevação imediata para 15% altera incentivos, potencialmente reorienta cadeias produtivas e exige uma resposta coordenada dos aliados para evitar que a tectônica de poder econômico se traduza em rupturas comerciais duradouras. A União Europeia enfrenta agora a urgência de consolidar alicerces diplomáticos e comerciais frente a uma jogada executiva de grande impacto.
Nos próximos dias, a atenção deve recair sobre o calendário oficial de tarifas que a administração americana prometer publicar — um roteiro que determinará não apenas o alcance setorial, mas também a duração e as exceções previstas. Apostar na improvisação seria um erro estratégico: governar o comércio internacional exige previsibilidade, instrumentos legais sólidos e, sobretudo, cooperação entre polos de influência.
Enquanto isso, o diálogo entre Bruxelas e Washington será medido por sua capacidade de transformar retórica em regras. A diplomacia terá de mover peças com precisão clássica para evitar que a incerteza se converta em crise prolongada.
Marco Severini
Analista sênior de geopolítica e estratégia internacional — Espresso Italia






















