Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, silenciosamente, o tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, a Casa Branca mantém um silêncio calculado sobre a possibilidade de um ataque contra o Irã. Fontes da imprensa norte-americana apontam que um blitz militar poderia começar já neste fim de semana, mas o presidente Trump ainda não tomou uma decisão final.
Relatos indicam que centenas de militares americanos foram evacuados de bases na região, incluindo a base de Al Udeid, no Qatar. Ao mesmo tempo, o próprio presidente declarou aos jornalistas que está “avaliando” uma operação cirúrgica destinada a pressionar Teerã a aceitar um novo acordo nuclear. “Acredito que posso dizer que estou pensando nisso”, disse o presidente, num tom que revela uma deliberada ambiguidade estratégica.
Do lado iraniano, o governo afirma que uma minuta de entendimento com Washington poderia estar pronta em dois ou três dias, muito antes dos dez dias inicialmente anunciados. Veículos como Axios reportam que a administração americana estaria disposta a considerar uma proposta que permita ao Irã um enriquecimento nuclear em caráter “simbólico”, mas vedando-lhe qualquer chance concreta de construir uma arma. O jornal The Guardian acrescenta que o Irã não cogita exportar suas reservas de cerca de 300 kg de urânio altamente enriquecido; em vez disso, estaria disposto a diluir a pureza de seu estoque — possivelmente até 60% — sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA).
Paralelamente às negociações, a Casa Branca recebeu, já há semanas, um leque de opções militares. Entre elas constam alternativas de alto risco, incluindo ataques diretos ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e a seu filho, Mojtaba. Fontes citadas pelo Axios deixam claro: “O presidente ainda não decidiu se atacará”; e acrescentam que a opção de não agir permanece plausível.
Se a ordem partisse, seria a segunda série de operações dirigidas contra alvos iranianos em menos de um ano, após ataques aéreos — atribuídos a Estados Unidos e Israel — contra estruturas militares e nucleares em junho passado. No entanto, autoridades de inteligência consultadas pela Adnkronos indicam que a administração prefere aguardar a chegada de forças adicionais antes de qualquer movimento decisivo: a peça-chave é o porta-aviões Gerald Ford, que ainda não alcançou o teatro de operações.
A embarcação percorreu recentemente o Estreito de Gibraltar, depois de ter sido posicionada por meses frente à Venezuela, e levará alguns dias para atingir sua posição provável — possivelmente em frente às águas de Chipre — onde serviria tanto para projetar poder ofensivo quanto para prover uma cortina de defesa em prol de Israel, em caso de retaliação iraniana. A Casa Branca busca, nas palavras de assistentes, dispor de “todas as forças em posição” antes de autorizar a próxima jogada.
Outro sinal de coordenação diplomática é o encontro previsto entre o senador Marco Rubio e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, marcado para 28 de fevereiro. O encontro, destinado a alinhar estratégia entre Washington e Jerusalém, reforça a leitura de que, por ora, prevalece uma prudente espera — uma pausa estratégica para ajustar forças e intenções.
Enquanto a diplomacia trabalha para transformar variáveis militares em termos de negociação, o cenário revela-se como um tabuleiro de xadrez em que cada peça se reposiciona cuidadosamente. A retórica e os deslocamentos navais constituem os alicerces frágeis da diplomacia contemporânea: um equilíbrio entre demonstração de força e abertura à acomodação técnica — no caso, sobre o enriquecimento de urânio e mecanismos de verificação da IAEA.
Como analista que contempla a tectônica dos poderes, observo que a decisão final dependerá da avaliação do custo político e estratégico de um ataque direto versus a possibilidade de extrair concessões nucleares tangíveis mediante supervisão internacional. O momento é delicado: cada movimento pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência e provocar reações em cadeia no tabuleiro regional.
Marco Severini é analista sênior de geopolítica e estratégia internacional para a Espresso Italia.




















