Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A Juventus ampliou uma sequência preocupante: após o revés na Champions frente ao Galatasaray, a equipe caiu novamente dentro do Stadium, perdendo por 2-0 para o Como na 26ª rodada da Serie A. É a terceira derrota seguida na competição e a quarta nos últimos cinco jogos, um sinal de instabilidade que ultrapassa o campo e acende discussões sobre modelo esportivo e gestão do clube.
O encontro em Turim teve duas ações que decidiram o resultado. No primeiro tempo, aos 11 minutos, houve o primeiro sopro de crise: um erro de McKennie permitiu que Douvikas recuperasse a posse e servisse Vojvoda, que, na área, bateu cruzado e surpreendeu Di Gregorio, deixando o Como na frente. A partir daí, a Juventus tentou reagir, com Yildiz e Openda buscando espaço — em uma das melhores chances, aos 22, Kelly encontrou Openda na área, mas o goleiro Butez negou o empate.
O segundo tempo confirmou a tendência do primeiro: o Como, mais organizado na transição, explorou o nervosismo dos donos da casa. Aos 61 minutos, em um rápido contra-ataque já iniciado por Sergi Roberto — que entrara na partida —, Perrone avançou e a jogada terminou com Da Cunha tabelando e deixando para Caqueret, que empurrou para o gol com Di Gregorio fora da jogada. A defesa bianconera, particularmente o setor ocupado por Gatti e Kelly, mostrou dificuldades em controlar as costas e a dinâmica rival.
Houve tentativas de reação: Koopmeiners, um dos nomes em evidência no time de Spalletti, acertou a trave em cobrança aos 84 minutos, mas já era tarde. Com o apito final, o silêncio e os assobios deram o tom: a derrota por 2-0 confirma uma fase que exige mais do que ajustes táticos — pede reflexão sobre consistência, gestão de elenco e capacidade de resposta em momentos críticos.
Spalletti havia poupado Bremer após o desgaste europeu, escalando uma linha defensiva com Gatti, Kelly e Koopmeiners à frente, e apostando em Openda no ataque. Do lado visitante, a ausência de Nico Paz foi compensada por um coletivo bem calibrado, com Douvikas, Vojvoda, Caqueret e Baturina bem alinhados.
Mais que a perda de pontos, a leitura que fica é institucional: uma Juventus que oscila demais corre o risco de ver o quarto lugar escapar, enquanto o Como se aproxima perigosamente — a apenas um ponto da posição ocupada pela equipe de Spalletti. Em termos culturais, o que se vê no Stadium é também um termômetro do desencanto de uma torcida que, historicamente, exige solidez e identidade tática. São capítulos que revelam muito sobre a administração moderna do futebol italiano — onde tradição e resultados precisam ser reconciliados com pressões econômicas e ciclos de renovação.
Conclusão: a derrota por 2-0 não é apenas mais um número na tabela. É um convite a repensar rotinas, a proteger os jogadores da exaustão em calendários comprimidos e a recuperar a ligação entre clube e cidade. A Juventus tem, a partir de agora, a tarefa urgente de encontrar respostas que sejam tão estruturais quanto imediatas.


















