Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
Chega ao fim hoje a edição de 2026 dos Jogos Olímpicos de Milano Cortina 2026. O balanço estatístico registra um marco: o contingente italiano, os tradicionais Azzurri, acumulam até o momento 10 ouros, 6 pratas e 14 bronzes, um total que representa um recorde absoluto na história olímpica da Itália. Ainda assim, a dimensão simbólica desse recorde convive com a frustração competitiva: com o mesmo número de primeiros lugares, porém com uma prata a mais, a Holanda ultrapassou-nos no quadro de medalhas e empurrou a Itália para o quarto posto do ranking.
Esse hiato nos interessa menos como mero número e mais como espelho das estruturas que organizam o esporte contemporâneo — investimento em formação, calendários competitivos, cultura regional de inverno e as periferias institucionais que determinam quem recebe recursos e visibilidade. Nos próximos eventos, os Azzurri não buscam apenas mais medalhas; buscam resgatar um fio de narrativa coletiva: os Jogos como palco onde a memória esportiva nacional se reafirma.
No último dia, programado para este domingo 22 de fevereiro, estão previstas provas capazes de alterar o quadro final. Abaixo, o cronograma com os atletas italianos em prova e horários (horário local):
- 10:00 – 11:00 — Bob a 4 U — Heat 3 — Cortina Sliding Centre
- Patrick BAUMGARTNER
- Lorenzo BILOTTI
- Eric FANTAZZINI
- Robert Gino MIRCEA
- 10:00 – 13:30 — Esqui de fundo — 50 km Mass Start — TC Tesero Cross-Country Skiing Stadium
- Anna COMARELLA
- 12:15 – 13:20 — Bob a 4 U — Heat 4 — Cortina Sliding Centre
- Patrick BAUMGARTNER
- Lorenzo BILOTTI
- Eric FANTAZZINI
- Robert Gino MIRCEA
A presença de atletas como Anna Comarella no percurso longo do esqui de fundo e a dupla de heats do bob a 4 ilustram a diversidade técnica do programa final: resistência aeróbica por um lado, precisão e entrosamento por outro. São provas distintas em exigência física e, simultaneamente, em potencial simbólico — os 50 km do esqui de fundo remetem a uma tradição nord-europeia de resistência, enquanto o bob coloca em evidência centros de excelência como o de Cortina, palco também do legado arquitetural e turístico dos Jogos.
Para além do impulso imediato por medalha, cabe lembrar que resultados em dias decisivos alteram percepções de financiamento e prioridades futuras. Uma vitória nos últimos heats pode não apenas recuperar posições no quadro, mas reforçar narrativas regionais sobre qualidades do alto rendimento italiano no inverno.
Os Azzurri entram em cena com a responsabilidade pública de quem representa mais do que clubes ou federações: representam memórias locais, escolhas de políticas esportivas e um desejo coletivo de reconhecimento. Seja qual for o desfecho, este domingo fechará um capítulo significativo para o esporte italiano moderno — e abrirá questões sobre continuidade, investimento e memória.
Assinado, Otávio Marchesini — Espresso Italia






















