Por Marco Severini — Em mais um capítulo da tensa sequência que marca o quarto aniversário da invasão, potentes explosões sacudiram a capital Kiev nas primeiras horas da manhã, enquanto um ataque que as autoridades qualificaram como ataque terrorista atingiu Leopoli (Lviv), deixando um rastro de vítimas e incertezas.
O presidente Zelensky anunciou via X a realização de um fermo no âmbito do atentado em Leopoli. Segundo a publicação presidencial, o ministro do Interior, Ihor Klymenko, comunicou a detenção de um suspeito envolvido no ato considerado um ataque terrorista. O balanço atualizado fala em 25 feridos e em uma pessoa morta — identificada, segundo Ukrinform, como uma policial de 23 anos.
“Foram colocados à disposição da investigação todos os recursos necessários”, escreveu Zelensky, agradecendo “a todos os que estão ajudando”. A posição pública do presidente é clara: “não vamos obstruir a paz de forma alguma” — uma declaração que, neste momento, assume o papel de um gesto diplomático, e não um prognóstico.
Na região da capital, os ataques noturnos atribuídos à Rússia provocaram ao menos um morto e cinco feridos, além de causar danos às infraestruturas energéticas. Em Putrivka, município da periferia de Kiev, equipes do Serviço de Emergência resgataram oito pessoas — entre elas uma criança — das ruínas após um ataque. Cinco foram hospitalizadas; uma vítima acabou morrendo durante o transporte para atendimento.
O prefeito de Odessa, Oleg Kiper, relatou ataques massivos contra o setor energético da província pelo que descreveu como ação do “inimigo”. Segundo Kiper, drones lançados contra instalações provocaram grandes incêndios que os serviços de socorro conseguiram controlar sem registro de vítimas fatais. A extensão dos danos a estruturas públicas segue em avaliação e reparação.
Esses episódios ocorrem a apenas dois dias do quarto aniversário da invasão em grande escala iniciada por Moscou — um timing que não pode ser desprezado. O golpe às infraestruturas energéticas e os ataques contra áreas civis têm dupla finalidade prática e simbólica: impactar capacidades materiais e testar a resistência psicológica coletiva da Ucrânia.
Em paralelo ao campo militar, há sinais — ainda incertos — de movimentações diplomáticas. Em entrevista à Fox News, o enviado de Donald Trump, Steve Witkoff, afirmou que nas próximas três semanas poderia haver um novo ciclo de negociações sobre a Ucrânia, possivelmente culminando em um encontro entre Zelensky e Vladimir Putin e, em termos especulativos, um formato trilateral envolvendo Trump. São declarações de bastidor que, se comprovadas, configurariam um movimento decisivo no tabuleiro diplomático.
Na madrugada, a administração militar de Kiev emitiu alerta de ameaça de uso de armas balísticas, convocando a população a procurar abrigo. As explosões foram ouvidas por volta das 4h local (2h GMT), em meio a uma rotina de tensões que se acirra em marcos simbólicos — um claro teste aos alicerces frágeis da diplomacia regional.
Como analista que observa a tectônica de poder na região, registro que a combinação de ataques militares, ofensivas contra infraestruturas energéticas e movimentos diplomáticos anunciados cria um cenário de alta volatividade. Há, agora, duas frentes a serem monitoradas com atenção: a evolução das investigações internas sobre o atentado em Leopoli e a verificação concreta de eventuais rodadas de diálogo multilaterais anunciadas nos bastidores.
Seguiremos acompanhando os desdobramentos com a serenidade e a profundidade exigidas por quem observa as jogadas estratégicas no longo prazo — sempre lembrando que na geopolítica, como no xadrez, um movimento imediato pode redesenhar fronteiras invisíveis por muito tempo.






















