Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O sofrimento agora é irreversível: o pequeno Domenico, de 2 anos, morreu após semanas de tratamento intensivo no hospital Monaldi, em Nápoles. A família, a equipe médica e a comunidade acompanharam até o fim a tentativa de recuperação do menino, que havia recebido um transplante de coração em 23 de dezembro de 2025.
Segundo nota oficial da Azienda Ospedaliera dei Colli, à qual o Monaldi pertence, o óbito ocorreu na manhã de sábado, 21 de fevereiro de 2026, “em decorrência de um agravamento súbito e irreversível das condições clínicas”. A direção hospitalar expressou “profundo pesar” e solidariedade à família.
Ao lado do hospital, dezenas de pessoas, em silêncio e comoção, prestaram homenagem ao menino. A mãe, Patrizia, disse em entrevista televisiva, com voz firme e visível dor: “Agora basta. Quero justiça. Quero a verdade, toda a verdade. Me la devono” — palavras que substituíram a esperança que por semanas manteve a família em luta.
O episódio ganhou novo contorno com a chegada dos Carabinieri ao Monaldi. Em diligência relacionada às investigações em curso, foram apreendidos telefones celulares no ambiente hospitalar, procedimento que integra a colheita de provas para esclarecer fatos e responsabilidades.
O advogado da família, Francesco Petruzzi, declarou que, com base no exame da documentação clínica, existe fundamento para que as investigações avancem na direção de um eventual enquadramento por omicídio doloso — especificamente, por dolo eventual — e não apenas por homicídio culposo. “Dall’esame della cartella clinica ci sono tutti i presupposti per configurare il dolo eventuale”, afirmou, segundo o que foi comunicado à imprensa.
Contexto clínico: o transplante realizado em dezembro foi descrito pela família como a última esperança. No entanto, os médicos relataram que o órgão transplantado apresentava danos graves — definido em relatos como um coração “queimado” — e, diante do quadro pós-operatório, os especialistas convocados de todo o país concluíram que não havia mais chances de recuperação. O coração identificado na terça-feira posterior foi, segundo fontes oficiais, implantado em outro serviço, no hospital Giovanni XXIII, em Bérgamo.
O menino permaneceu ligado ao suporte de circulação extracorpórea, a máquina ECMO, que o manteve em vida após o transplante falhado. Médicos do Monaldi, em conjunto com o médico legista nomeado pela família, o dr. Luca Scognamiglio, haviam iniciado um planejamento compartilhado de cuidados. Nesse plano constavam propostas para evitar a administração de terapias que se mostrassem inúteis diante da condição clínica, com o objetivo de prevenir o chamado acanamento terapêutico.
O cardeal Mimmo Battaglia, arcebispo de Nápoles, esteve no hospital para acompanhar a família e administrou a extrema-unção ao pequeno Domenico. A decisão da família de não buscar audiências médicas adicionais na Europa foi mencionada pelos próprios consultores como parte das escolhas feitas nas últimas semanas.
O caso agora segue sob investigação. A presença dos Carabinieri no Monaldi e a apreensão de dispositivos visam reconstruir comunicações, decisões clínicas e responsabilidades institucionais. A família pede resposta rápida e rigorosa: “Devo avere giustizia per mio figlio”, repetiu a mãe.
Esta redação continuará a acompanhar o desdobrar das apurações, com cruzamento de fontes institucionais, consultorias médicas independentes e atualização dos documentos judiciais assim que disponíveis. A realidade traduzida aqui é composta por fatos brutos, coletados diretamente nos autos e nas falas dos protagonistas.






















