Por Otávio Marchesini — A dimensão simbólica das Olimpíadas de Inverno de Milano‑Cortina não se limitou às pistas e estádios: projetou‑se com força nas plataformas digitais. Segundo Christian Klaue, diretor de Comunicação e Assuntos Públicos do COI, os Jogos registraram mais de 10 bilhões de interações com um alcance acumulado de 172 milhões de seguidores. Nessa paisagem de audiência massiva, emergiram cinco narrativas femininas que explicam como o esporte contemporâneo se conecta à cultura, à empatia e à economia da atenção.
É importante considerar que números não são apenas métricas: são vetores de memória coletiva. Cada like, cada visualização e cada novo seguidor traduzem um gesto de identificação — e, às vezes, de militância simbólica. A seguir, analisamos as cinco histórias que mais se destacaram nas redes durante Milano‑Cortina, mantendo os dados oficiais divulgados pelo COI e pelas próprias plataformas.
1. A campeã do gelo: crescimento explosivo no Instagram
A patinadora norte‑americana, bicampeã olímpica, teve o recorde absoluto de crescimento no Instagram: um aumento de +2.420.731 novos seguidores. Com apenas 10 publicações durante a janela dos Jogos, acumulou mais de 10 milhões de likes. Em termos sociais, seu caso revela a conjugação entre performance esportiva de alto nível e narrativa pessoal bem administrada — um modelo de soft power individual que amplia o interesse pelo esporte artístico.
2. A atleta ferida que humanizou a cobertura
Outro episódio que reverberou foi o da esquiadora americana que sofreu uma fratura deslocada da perna esquerda. Seus quatro reels no Instagram, nos quais registrou a recuperação e a permanência no hospital Ca’ Foncello de Treviso, alcançaram 54,3 milhões de visualizações. Essa sequência exemplifica como a vulnerabilidade — quando relatada com honestidade — transforma espectadores em espectadores implicados, e a dor em narrativa pública.
3. O domínio do TikTok no freestyle
No domínio do TikTok, a atleta americana com mais medalhas no freestyle consolidou sua presença: 13 vídeos totalizaram 53,8 milhões de views. No Instagram ela cresceu +851 mil seguidores e no TikTok houve +295 mil. O caso evidencia a diferenciação de plataformas: vídeos curtos e verticais ampliam o alcance e renovam a audiência jovem.
4. A esquiadora italiana e o engajamento recorde
Entre os atletas italianos, a esquiadora que faturou duas medalhas de ouro teve seis posts no Instagram que somaram 830 mil likes, com uma taxa de interação por post de 28% — um índice notável em termos de engajamento relativo, que demonstra intensa conexão local e emoção coletiva ligada ao sucesso nacional.
5. Stefania Constantini e o boom do curling nas redes
Por fim, o fenômeno curioso: o olhar e a presença de Stefania Constantini transformaram o curling em uma das disciplinas mais «pop» dos Jogos. O seu Instagram registrou o maior incremento entre atletas italianos, com +239 mil novos seguidores. Trata‑se de um exemplo claro de como a interação simbólica — carisma, visibilidade e narrativa — pode elevar modalidades menos mediáticas ao centro do debate público.
Em termos mais amplos, Milano‑Cortina confirmou que as grandes competições são espetáculos híbridos: esportivo e midiático, local e global. As atletas citadas não apenas conquistaram pódios; reconfiguraram audiências, abriram janelas de identificação e ampliaram o repertório esportivo da cultura popular. Para clubes, federações e patrocinadores, o ensinamento é prático: investir em comunicação autêntica e em narrativas que conectem performance e pessoa é tão estratégico quanto treinar na pista.
Palavras‑chave: Milano‑Cortina, interações, seguidores, Olimpíadas de Inverno, Stefania Constantini.






















