Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, durante o congresso “Lavoro e capitale umano: le sfide per il futuro”, organizado pela Aaroi-Emac (Associazione anestesisti rianimatori ospedalieri italiani – Emergenza area critica), o senador Guido Quintino Liris, membro da 5ª Comissão de Orçamento do Senado, traçou uma imagem serena e firme sobre o futuro da saúde pública italiana: é preciso colocar o pessoal no centro antes das infraestruturas e das tecnologias.
Na fala que dialoga com a prática cotidiana dos hospitais e com o tempo interno dos profissionais, Liris destacou que o debate trazido pela Aaroi-Emac é “útil para a nova sanidade que estamos construindo com o ministro Schillaci”. A ideia é clara como uma manhã de primavera: o Serviço Sanitário Nacional (SSN) deve permanecer universalístico, mas precisa também de um balanço, um check-up e mudanças no algoritmo de referência e no próprio approccio.
Ao falar de planejamento, Liris recordou que estudar as necessidades, as solicitações e a oferta do atual Serviço Sanitário Nacional é o ponto de partida para projetar, monitorar e programar um pessoal cada vez mais qualificado e valorizado. Não se trata apenas de nomes em folhas de pagamento: trata-se de cultivar raízes do bem-estar que conectem o hospital com o território, aproximando respostas e necessidades, como quem harmoniza a respiração de uma cidade com a respiração de cada paciente.
“Integrar hospital e território e colocar em relação os diferentes níveis de necessidade é a única maneira de oferecer respostas mais performantes ao paciente”, disse Liris. A metáfora é simples: sem um pessoal motivado e qualificado, desaparecerá a capacidade do sistema de ser um unicum reconhecido internacionalmente — aquela singularidade que o SSN conquistou ao longo do tempo.
O discurso de Liris não é um lamento, mas um convite poético e prático à colheita de hábitos responsáveis: monitorar, programar e valorizar quem está à frente do cuidado. Em sua visão, a transformação necessária passa por políticas que reforcem a formação, a valorização e a integração territorial, elementos que fazem do cuidado uma experiência humana e eficiente.
Como observador sensível do cotidiano italiano, vejo nessa proposta uma paisagem que desperta: é a chamada para que voltemos a cuidar daqueles que cuidam, para que o SSN continue a pulsar com um coração forte — o pessoal. Esse equilíbrio entre técnica, infraestrutura e humanidade é a colheita necessária para que o sistema permaneça vivo, resiliente e verdadeiramente universal.
Local do evento: Roma. Organização: Aaroi-Emac. Participante destacado: Guido Quintino Liris, membro da 5ª Comissão de Orçamento do Senado.






















