Roma — Um gesto simbólico com objetivo prático contra o estigma e o isolamento social: nesta manhã o Irccs San Raffaele di Roma inaugurou a Panchina Viola, banco pintado de roxo destinado a lembrar a presença e as necessidades das pessoas que vivem com epilepsia. A ação integra a iniciativa nacional promovida pela Fundação Epilessia Lice (Lega italiana contro l’epilessia) e foi acompanhada por profissionais do hospital e por familiares de pacientes.
Participaram da cerimônia Federico Vigevano, responsável pelo Departamento de Deficiências da Idade Evolutiva do instituto, e Amalia Allocca, diretora sanitária do Grupo San Raffaele, entre outros representantes e pais. Localizada dentro das instalações do hospital, a panchina violeta foi concebida como um espaço cotidiano de encontro, escuta e partilha: um convite claro para que profissionais, acompanhantes e visitantes se sentem ao lado de quem convive com a doença, busquem compreender sua realidade e desmontem preconceitos.
O tom da iniciativa é simbólico, mas fundamentado em dados concretos. O roxo é a cor internacional adotada para a luta contra a epilepsia e é usado globalmente durante o Purple Day, a Giornata Internazionale dell’Epilessia instituída em 2015. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 50 milhões de pessoas no mundo vivem com a condição. Na Itália, estimativas apontam entre 500 e 600 mil pessoas com epilepsia ativa, com cerca de 30 mil novos casos por ano.
Uma fração significativa desses pacientes apresenta formas farmacorresistentes ou quadros clínicos complexos que exigem centros altamente especializados. Ainda assim, além do desafio clínico, a epilepsia é frequentemente uma condição marcada pela solidão. Crianças e adolescentes citam, com frequência, episódios de exclusão em contextos escolares e sociais.
“Apesar dos grandes avanços no diagnóstico e na terapia, a epilepsia continua cercada de preconceitos que limitam a autonomia dos pacientes e os expõem à exclusão social”, afirmou Federico Vigevano. “Recebemos relatos de situações de emarginación: crianças aconselhadas a não participar de excursões escolares, famílias que enfrentam dificuldades até mesmo no acesso ao transporte escolar por temores infundados. Essas situações não decorrem da realidade clínica, mas da desinformação. Instalar este símbolo dentro de um hospital significa tornar visível um compromisso cultural antes de tudo; a meta é tirar definitivamente a doença das sombras.”
A colocação do banco no Irccs San Raffaele assume, portanto, dimensão educativa e institucional: um ponto fixo que lembra que a resposta à epilepsia passa pela assistência clínica e por políticas de sensibilização que envolvam escolas, serviços públicos e a sociedade em geral. Para os organizadores, a presença de um marco físico em ambiente hospitalar reforça a mensagem de acolhimento e de responsabilidade coletiva.
Em termos práticos, a iniciativa pretende estimular ações contínuas de informação, facilitar o encontro entre famílias e especialistas e reduzir as barreiras de acesso a serviços especializados. A esperança declarada pelos promotores é que o gesto inspire outras instituições a adotarem medidas semelhantes, transformando símbolos em políticas concretas de inclusão.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e atenção aos fatos brutos — esse é o raio-x do cotidiano que motiva iniciativas como a Panchina Viola.

















