Da mesma forma que a paisagem italiana muda com as estações, também mudou o horizonte para quem recebe o diagnóstico de melanoma. A partir de hoje, em Napoli, especialistas da Scito reúnem-se para discutir avanços que transformaram um cenário até pouco tempo sombrio em um campo de possibilidade clínica e humana.
Houve uma época em que o melanoma metastático carregava uma sentença temporal: a expectativa de vida contada em meses. Hoje essa lógica foi invertida. Graças à imunoterapia, percebemos uma verdadeira “revolução terapêutica”: o sistema imunológico deixa de ser espectador para tornar-se protagonista no controle da doença — às vezes com resultados próximos à cura.
O que torna o melanoma um laboratório global é a resposta robusta que ele demonstra às novas abordagens. A pesquisa avança com rapidez em centros até aqui pouco imaginados como polos de inovação: na Campania permanecem em curso ensaios internacionais promissores, que vão desde vacinas terapêuticas e terapia celular TIL (linfócitos que infiltram o tumor) até vírus e bactérias oncolíticas e imunoterapias de aplicação local.
“Entre os tumores, o melanoma foi o primeiro onde a imunoterapia mostrou resultados clínicos marcantes”, observa Paolo A. Ascierto, presidente da Scito e da Fundação Melanoma, além de professor titular de Oncologia na Universidade Federico II de Napoli. “A pesquisa corre rápido, oferecendo novas esperanças para pacientes que há 10 ou 20 anos não teriam nenhuma perspectiva.”
Os números são eloquentes. Antes dos inibidores dos checkpoints imunológicos, a sobrevida em 5 anos para melanoma em estágio IV era inferior a 10%. Estudos recentes, como o CheckMate 067, mostram um cenário transformado: a combinação de nivolumab e ipilimumab elevou a sobrevida global a 10 anos para 43% dos pacientes. Para aqueles que atingem resposta completa, a probabilidade de estarem vivos aos 5 anos ultrapassa 85%, permitindo, em muitos casos, a suspensão das terapias.
Mesmo nas apresentações mais desafiadoras, como as metástases cerebrais assintomáticas, a combinação imunoterápica alcança taxas de resposta em torno de 50% — percentuais antes inimagináveis. E a transformação não se limita aos casos avançados: a nova fronteira é a aplicação da imunoterapia em contexto adiuvante e neoadjuvante, isto é, logo antes ou depois da cirurgia, com o objetivo de “treinar” o sistema imune para eliminar células tumorais remanescentes.
No estudo CheckMate 238, por exemplo, a sobrevida livre de recidiva em 3 anos alcançou 58%, reduzindo de modo significativo o risco de retorno da doença. É uma mudança de maré: como um solo que foi regenerado para permitir novas colheitas, as raízes do bem-estar oncológico começam a florescer.
Em Napoli, médicos e pesquisadores da Scito se reúnem para avaliar os resultados, compartilhar experiências e desenhar os próximos passos de uma jornada que une ciência e humanidade. Observamos, com responsabilidade e esperança, como a respiração do corpo e da cidade se sincroniza com avanços que devolvem tempo e qualidade de vida a centenas de pessoas.
Como observador sensível deste cotidiano em transformação, vejo nesses dados mais do que estatística: vejo vidas estendidas, rotinas preservadas, histórias que podem continuar. O desafio agora é ampliar o acesso, refinar as combinações terapêuticas e cultivar, como numa horta bem cuidada, as melhores práticas para que essa revolução chegue a todos que dela precisam.






















