Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
O quadro para o referendo sobre a reforma da justiça permanece em aberto, segundo a mais recente sondagem Youtrend encomendada por Sky TG24, realizada a um mês da consulta marcada para 22 e 23 de março de 2026. A pesquisa confirma que o resultado dependerá sobretudo do comparecimento às urnas: a mesma proposta pode vencer ou perder conforme quem e quantos forem votar — um lembrete de que, na construção da democracia, o voto é o cimento que sustenta os alicerces da lei.
No cenário de alta afluência — estimada em 59,6% ao considerar os entrevistados que afirmaram que votariam certamente ou provavelmente — o Sim lidera com 51,0%. Já no cenário de baixa afluência — calculado em 48,0% ao colher apenas os que disseram que votariam certamente — o Não aparece à frente, com 51,5%.
Comparando com o levantamento anterior, divulgado em 11 de fevereiro, há um movimento do eleitorado a ser observado: o Não subiu 1,6 pontos no cenário de alta afluência e 0,4 pontos no cenário de baixa afluência. Os números mostram que pequenas variações na mobilização podem alterar o resultado final, transformando a escolha dos cidadãos no componente decisivo da equação.
Do ponto de vista prático, essa oscilação evidencia duas realidades políticas distintas. Se a sociedade conseguir derrubar barreiras burocráticas e mobilizar eleitores — inclusive jovens, imigrantes regulares e cidadãos menos acostumados às urnas — o plebiscito poderá confirmar a mudança proposta nas normas judiciais. Por outro lado, se prevalecer o desinteresse ou o ceticismo, o status quo tende a resistir. Em termos simbólicos, trata-se de medir o peso da caneta coletiva: a caneta que escreve o futuro do sistema judicial e a relação do Estado com o cidadão.
Como repórter atento à intersecção entre decisões de Roma e a vida cotidiana, observo que o debate não é apenas técnico. Está em jogo como as mudanças legislativas se traduzem em garantias efetivas para proprietários, trabalhadores, migrantes e contribuintes — quem tem na prática o alicerce dos seus direitos moldado por leis e sentenças.
Com 30 dias para a votação, as campanhas terão de trabalhar em duas frentes: convencer indecisos e garantir que seus apoiadores compareçam. A arquitetura do voto está em construção — e a sondagem Youtrend deixa clara a vulnerabilidade do resultado à mobilização.
Para o eleitor italiano (e para a comunidade ítalo-descendente que acompanha as mudanças de perto), a lição é prática: participar é decidir. Quem ficar fora do processo pode ver decidir por ele os outros — uma ponte que se constrói com cada assinatura na cédula, cada deslocamento até a urna.
Seguiremos acompanhando as próximas pesquisas e as estratégias das campanhas com foco nos efeitos concretos das propostas. A imprensa tem aqui o papel de ponte entre a complexidade legislativa e a vida real dos cidadãos, esclarecendo o que está em disputa e como o resultado poderá alterar o cotidiano de todos.






















