Sou Erica Santini, sua amiga ítalo-brasileira amante do Bel Paese, e convido você a saborear a história caminhando: o Cammino dei Cappuccini renasce em 2026 como um tributo vivo aos 800 anos de san Francesco. Estes caminhos não são apenas trilhas: são linhas do tempo que conectam conventos, santuários e aldeias, onde a textura do tempo se revela nas paredes, no perfume dos bosques e na voz das comunidades locais. Andiamo?
Organizados diretamente pela ordem dos Frati Minori Cappuccini — os primeiros e únicos itinerários guiados por um organismo religioso desse tipo — os percursos voltam com três propostas excepcionais a partir de 20 de abril. Inspiradas pelo sucesso do ano anterior, as experiências são pensadas para viajantes e peregrinos que buscam um encontro autêntico: segurança, intimidade e a possibilidade de escutar o território com calma, passo a passo.
O traçado segue o coração do Apennino marchigiano, onde antigas vias rurais unem sítios de devoção, mosteiros esquecidos e centros históricos de pequena escala. Entre bosques que exalam o perfume da mata e colinas lavradas que mudam de cor com a luz, o Cammino dei Cappuccini propõe um ritmo que lembra o “Dolce Far Niente” italiano: a alegria serena de existir na paisagem. É um percurso anti‑fluxo massificado, pensado para quem deseja se perder do mapa turístico e se encontrar com as pessoas que guardam a memória viva do lugar.
A celebração dos 800 anos da morte de san Francesco transforma esta iniciativa em um calendário cultural e espiritual. Em cada passo, há a possibilidade de encontrar práticas religiosas quotidianas, momentos de silêncio e orações presididas pelos irmãos capuchinhos, além de conversas informais com moradores que mantêm tradições seculares. O sentido do jubileu é assim materializado: não somente em grandes eventos, mas no reencontro cotidiano com a simplicidade e a partilha.
A primeira das propostas, programada entre 20 e 26 de abril, tem início em Camerino e segue por caminhos ancestrais, com hospedagens que priorizam a hospitalidade simples e calorosa dos conventos e estruturas rurais parceiras. Os participantes serão acompanhados pelos frades e por guias locais, garantindo uma experiência segura, intimista e profundamente educativa. Além das caminhadas, o roteiro inclui paradas para degustar produtos locais — que contam uma história por si só — e momentos de escuta cultural: oficinas, leituras e pequenas celebrações comunitárias.
As outras duas experiências, também concebidas para o ano jubilar, diversificam a duração e os focos: algumas são mais intensas, voltadas à peregrinação espiritual profunda; outras privilegiam o convívio, a cultura e a descoberta lenta dos territórios. Em todas, contudo, há um denominador comum: a valorização do encontro humano, da sustentabilidade e da integração com a economia local. A proposta é caminhar com respeito, deixando somente pegadas leves e levando consigo memórias que alimentam a alma.
Como curadora de experiências, vejo neste projeto um convite ao slow travel com autenticidade: imagine a luz dourada que banha um vale ao entardecer, o crocante do pão recém‑assado em uma praça minúscula, o som distante de um sino que marca a hora do recolhimento. Esses são os pequenos rituais que transformam um percurso em experiência. Não se trata apenas de chegar a um destino — é se permitir ser atravessado pela paisagem e pelas histórias.
Para os amantes de cultura e história, o Cammino dei Cappuccini representa também uma sala de aula a céu aberto: a arquitetura dos conventos, as capelas rurais, as práticas agrícolas tradicionais e as festas locais testemunham séculos de convivência entre fé e vida cotidiana. E para quem busca espiritualidade, há a possibilidade de participar de leituras espirituais, momentos de silêncio orientado e celebrações litúrgicas com os frades, sempre com sensibilidade e respeito às diversas expectativas dos peregrinos.
Se você pensa em embarcar nesta jornada, lembre‑se: a essência é a lentidão. Prepare calçados confortáveis, curiosidade e abertura para encontros inesperados. Traga também um espírito de simplicidade que combine com a hospitalidade capuchinha: refeições partilhadas, dormitório comunitário às vezes, e a beleza de conversas à mesa que duram até o último gole de vinho — um verdadeiro aperitivo de memórias.
Por fim, como diria uma amiga em Roma ao pôr do sol: Ciao, prendiamo il tempo. Este é o convite do Cammino dei Cappuccini no ano em que celebramos san Francesco: caminhar para aprender, para ouvir e para ser tocado pela paisagem e pelas pessoas. Se o seu coração pede uma viagem que enriquece os sentidos e acalma o espírito, deixe‑se guiar por estes percursos onde tradição, natureza e espiritualidade se encontram.
Para informações sobre inscrições, datas específicas das outras duas propostas e logística, consulte os canais oficiais do Cammino dei Cappuccini e das dioceses parceiras. E, se desejar, leve comigo este desejo de descoberta: prometo segredos locais, sabores que contam histórias e a hospitalidade sofisticada que só quem ama a Itália sabe oferecer. Andiamo, e que a luz de san Francesco guie seus passos.






















