Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
A penúltima jornada dos Jogos de Inverno em Olimpíadas Milano‑Cortina 2026 traz uma carteira de provas que sintetiza bem a diversidade do esporte branco italiano: do impacto físico do ski cross ao controle tático do biathlon, da resistência extrema do 50 km clássico no esqui de fundo ao drama medido em centésimos do pattinaggio di velocità (patinação de velocidade). É um dia em que a Itália vai atrás das últimas medalhas e onde narrativas individuais encontram, novamente, um palco coletivo.
No centro das atenções está Francesca Lollobrigida, que volta à pista no mass start do patinaggio di velocità procurando o terceiro ouro destes Jogos. A sua presença é menos um flash isolado e mais um símbolo: do trabalho de base no patrocínio e formação do velocidade long track italiano às escolhas de calendário que permitiram a atletas de endurance brilhar em provas conjuntas.
Ao mesmo tempo, o dia reserva reencontros emocionais no biathlon: Lisa Vittozzi e Dorothea Wierer voltam a competir na mass start feminina, numa prova que exige precisão no tiro e gestão física depois de jornadas intensas. A recuperação e a leitura da pista podem fazer diferença entre disputar pódio e simplesmente fechar a prova com honra.
Segue, abaixo, a programação completa com horários locais e os nomes dos italianos envolvidos — um roteiro útil para acompanhar as competições com o contexto certo.
- 10:00–11:00 FREESTYLE, ski cross masculino — qualificações (Livigno Snow Park): Simone Deromedis, Federico Tomasoni, Edoardo Zorzi, Dominik Zuech.
- 10:00–11:00 BOB a 4 masculino — Heat 1 (Cortina Sliding Centre): Patrick Baumgartner, Lorenzo Bilotti, Eric Fantazzini, Robert Gino Mircea.
- 11:00–13:55 ESQUI DE FUNDO, 50 km mass start clássico (Tesero Cross‑Country Skiing Stadium): Elia Barp, Simone Daprà.
- 11:57–13:00 BOB a 4 masculino — Heat 2 (Cortina Sliding Centre): mesma equipe.
- 12:00–13:35 FREESTYLE, ski cross masculino — oitavas, quartas, semifinais e final (Livigno Snow Park): possibilidade de avanço para Deromedis, Tomasoni, Zorzi e Zuech.
- 13:30–14:30 SKI ALPINISMO, revezamento misto — finais (Stelvio Ski Centre): Michele Boscacci, Alba De Silvestro.
- 14:15–15:10 BIATHLON, mass start feminino (Anterselva Biathlon Arena): Lisa Vittozzi, Dorothea Wierer.
- 15:00–16:30 PATTINAGGIO DI VELOCITÀ, mass start masculino — semifinais e final (Milano Ice Park): Daniel Di Stefano, Andrea Giovannini em pista; possibilidade de final.
- 15:50–17:45 PATTINAGGIO DI VELOCITÀ, mass start feminino — semifinais e final (Milano Ice Park): Francesca Lollobrigida na busca pelo ouro.
- 19:00–22:20 BOB a 2 feminino — Heat 3 e Heat 4 (Cortina Sliding Centre): Giada Andreutti, Anna Costella, Simona De Silvestro, Alessia Gatti.
O calendário do dia contém, portanto, provas que variam em exigência e em narrativa. O ski cross é uma disciplina de alto risco e alto espetáculo, que tende a favorecer quem alia tomada de decisão instantânea e capacidade de reinvenção em pista. Equipes como as que apresentam Deromedis e companhia trazem um perfil de atletas acostumados a alternar monólogos técnicos com momentos de improviso — é aí que as chances de pódio nas fases eliminatórias se definem.
O bob, tanto a quatro quanto a duas, revela a tradição alpina italiana no trabalho em equipe e na tecnologia do trenó. As duplas e quartetos citados representam a soma de clubes, investimentos e trajetórias locais — uma prova do caráter institucional do esporte, que vai além do esforço individual.
No plano do esforço absoluto, o 50 km mass start do esqui de fundo é uma prova de caráter quase antropológico: exige leitura de ritmo, escolhas estratégicas e resistência pura. A presença de Elia Barp e Simone Daprà coloca em evidência a escola italiana do fundo, que historicamente dialoga com as tradições alpinas e o modelo nórdico de preparação.
Quanto ao biathlon, o retorno de Lisa Vittozzi e Dorothea Wierer à mass start feminile tem impacto simbólico — não apenas pelas pernas e pelo alvo, mas pela capacidade de recuperação psicológica ao longo de uma Olimpíada extenuante. Em provas desse tipo, a margem entre medalha e posições de honra é estreita, e a experiência competitiva tende a pesar.
Por fim, o pattinaggio di velocità no mass start, com Francesca Lollobrigida na pista, é a imagem de uma atleta que traduz, com clareza, a ideia de evento‑teste convertido em meta: somar ouro após provas que já exigiram sacrifício e planejamento. A final, se confirmada, será mais do que uma disputa por metal; será uma confirmação de políticas de investimento e de uma trajetória pessoal.
Em termos jornalísticos e analíticos, este 21 de fevereiro deve ser lido em duas camadas: a imediata, dos resultados e possíveis pódios, e a estrutural, das narrativas que se consolidam sobre federações, formação e memória esportiva. A Itália vai em busca de medalhas, mas também de reafirmação institucional — e, naturalmente, de histórias individuais que expliquem o que restará nas memórias coletivas do evento.
Horários, locais e nomes foram confirmados pela programação oficial dos Jogos. Acompanhe a cobertura da Espresso Italia para análises posteriores aos resultados, quando poderemos decantar consequências para o ciclo olímpico italiano e extrair lições para as modalidades que aqui competem.
Atualizado em 21 de fevereiro de 2026.





















