Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
No palco de saibro do Brasil, Matteo Berrettini busca recuperar ritmo e confiança: nesta noite ele enfrenta o sérvio Dusan Lajovic nas oitavas do ATP do Rio de Janeiro. A partida vale uma vaga nos quartas e está programada como terceira do dia na Quadra Guga Kuerten, em sessão que começa às 20h30.
Há uma camada simbólica nessa partida que ultrapassa o placar. Berrettini, figura central da geração italiana que disputou a elite do circuito nos últimos anos, vive uma fase de reacomodação física e técnica após lesões que limitaram seu ritmo. O torneio carioca surge como oportunidade prática de retomar consistência em piso de saibro, onde o controle dos pontos longos e a resistência física são testados com rigor.
Do outro lado da rede, Dusan Lajovic chega como outro lucky loser do evento. Atualmente 129º do ranking mundial, Lajovic já mostrou ao longo da carreira uma capacidade de reconstrução: alcançou o best ranking de 23º em abril de 2019 e coleciona dois títulos ATP 250 — Umag em 2019 e Banja Luka em 2023. A trajetória dele descreve um tenista capaz de ressurgir com consistência, especialmente em torneios de nível 250, onde experiência e gerenciamento de partidas pesam.
No primeiro turno do Rio, Berrettini eliminou o lucky loser Tomas Barrios Vera (número 107 do mundo) em dois sets, com parciais de 7-6 e 7-5, resultados que indicam pontos de partida úteis, mas também partidas apertadas que exigiram dos serviços e do jogo mental. Não há confrontos prévios entre Berrettini e Lajovic — uma ausência de histórico que adiciona incerteza tática e interesse dramático ao embate.
O vencedor terá pela frente, nas quartas, o triunfador do confronto entre a terceira cabeça de chave, o brasileiro Joao Fonseca, e o peruano Ignacio Buse. Esse desdobramento coloca em perspectiva a importância do duelo: trata-se, para Berrettini, de um teste de progressão rumo às fases decisivas; para Lajovic, de mais uma chance de capitalizar experiência e retorno competitivo.
Para o público italiano e europeu que acompanha a temporada sul-americana, o confronto do Rio é mais um capítulo da tentativa de jogadores consagrados e veteranos de recalibrar carreiras num calendário que exige adaptação contínua. É também um lembrete de que quadras como a Guga Kuerten são territórios onde histórias esportivas se reescrevem.
Transmissão: a partida de Berrettini poderá ser acompanhada ao vivo na televisão pelos canais Sky Sport Uno e Sky Sport Tennis, e em streaming por Sky Go e Now. O horário estimado de início, como terceira partida da noite, segue a programação oficial do torneio.
Contexto final: mais do que um jogo de oitavas, trata-se de um momento de avaliação para um tenista que já foi top do mundo e agora busca reconstituir-se, e para um rival que transformou irregularidades em longevidade competitiva. A leitura técnica e política do esporte — clubes, calendários, escolhas de temporada — atravessa partidas como essa, lembrando que um resultado aqui repercute em planejamento e narrativas além do simples resultado.
Data de referência: 19 de fevereiro de 2026.






















