Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em Bergen, sob o frio nórdico, o Bologna levou a melhor sobre o Brann e venceu por 1-0 o primeiro duelo dos playoffs da Europa League. O gol solitário foi marcado por Castro, que aproveitou assistência de Cambiaghi e anotou seu primeiro tento na competição continental na temporada. A partida, disputada em 19 de fevereiro de 2026, deixa os rossoblù com vantagem a ser defendida no Dall’Ara, onde decidirão a vaga para as oitavas no próximo encontro.
Vincenzo Italiano escalou o time com Castro na linha de frente, tendo ao lado Bernardeschi, Ferguson e Cambiaghi como apoio. O Brann respondeu com um trio ofensivo formado por Mathisen, Holm e Thorsteinsson. Desde os primeiros minutos, os noruegueses imprimiram maior agressividade: uma perda de bola de Ferguson permitiu avanço de Myhre e um escanteio que originou um remate de Ingason sem direção ao gol de Skorupski.
Quando o Bologna teve seu primeiro avanço incisivo, veio o gol. Em jogada construída por Cambiaghi, Castro finalizou com precisão e colocou o visitante em vantagem. O jogo permaneceu nervoso e aberto: o Brann pediu pênalti por um suposto toque de braço de Vitikè, e minutos depois quase empatou quando Skorupski brilhou ao defender com segurança um cabeceio de Myhre e o consequente tap-in de Thorsteinsson.
Antes do intervalo, o Bologna também teve motivo para reclamar: um possível contato entre Boakye e Bernardeschi na área não foi assinalado pelo árbitro. Na etapa final, Italiano promoveu mudanças táticas e forçadas: saiu Castro (por precaução após um choque e um golpe na cabeça) e Bernardeschi (já amarelado), entrando Dallinga e Orsolini para ganhar dinamismo ofensivo.
O segundo tempo viu o Brann manter o ímpeto, com Holm ameaçando a defesa rossoblù — embora a jogada tivesse começado em posição irregular marcada por Ingason. O Bologna, por sua vez, cresceu com as alterações: Dallinga testou Dyngeland e Orsolini assustou os anfitriões em pelo menos duas ocasiões, mas não conseguiu aumentar o placar. A solidez defensiva, combinada com a experiência de Skorupski, permitiu ao clube italiano controlar o fim do jogo e garantir o triunfo por 1-0.
Para além do resultado imediato, a vitória em Bergen tem implicações mais amplas. Em um momento em que o futebol italiano passava por dias difíceis — agravados por três derrotas nas partidas de Champions League — o sucesso do Bologna ressoa como uma pequena, porém necessária, recuperação de prestígio continental. Não se trata apenas de um gol ou de uma vaga: é a reafirmação de uma identidade tática e de uma capacidade de resistir fora de casa, elementos que Vincenzo Italiano tem buscado cultivar desde sua chegada.
O confronto de volta, no Dall’Ara, promete ser um espelho dessa tensão. O Bologna parte com vantagem estreita, mas valiosa; o Brann, por sua vez, terá de buscar respostas que mesclem coragem ofensiva e maior precisão nas transições. Do ponto de vista cultural, partidas assim reforçam a ideia de que o futebol é, simultaneamente, espetáculo e arquivo: um resultado não só decide fases, mas também adiciona capítulos à memória coletiva de cidades e clubes.
Resultado final: Brann 0 x 1 Bologna. Próximo jogo: retorno no Estádio Dall’Ara, na quinta-feira, 26 de fevereiro — com vaga às oitavas em disputa e a Roma já fixa entre os representantes italianos na segunda competição do continente.





















