Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
A Atalanta entrou numa fase da temporada em que o horizonte não se mede apenas por resultados imediatos, mas por escolhas de identidade competitiva. Depois do revés europeu por 2-0 diante do Borussia Dortmund, a equipe de Palladino volta a olhar com clareza a tabela da Serie A e a projetar caminhos concretos rumo à Europa — quiçá à tão almejada vaga na Champions.
Com as primeiras 25 rodadas finalmente cumpridas por todos os clubes, o quadro permite cálculos mais objetivos. A vitória por 2-0 sobre a Lazio recolocou a Atalanta na zona europeia. No mesmo intervalo de classificação, o Como alcançou 42 pontos ao empatar por 1-1 com o Milan na partida reagendada em San Siro, deixando os dois clubes empatados em pontos.
O cenário mostra uma separação nítida entre as candidatas à disputa por vagas continentais e os times que já parecem mais distantes — Bologna e Lazio, em oitavo e nono, seguem com 33 pontos, nove atrás. A Atalanta figura em sétimo lugar por critério de saldo: o Como soma cinco gols a mais marcados e sofreu dois a menos, resultando em uma vantagem de sete gols no saldo, com os confrontos diretos registrados em 1-1 (ida) e 0-0 (volta).
À frente, a composição das posições europeias está igualmente apertada: a Juve aparece com 46 pontos, enquanto a Roma ocupa a cobiçada quarta posição com 47. No topo do pódio segue o Napoli, com 50 pontos; é justamente este o adversário que receberá a Atalanta em Bergamo no próximo domingo às 15h.
Na fala pública, Palladino moderou as declarações sobre ambições de Champions — um contraponto às assertivas de jogadores como Krstovic e Zalewski — e preferiu enfatizar a humildade competitiva. Ainda assim, o objetivo de longo prazo está claro: transformar a recuperação que rendeu 29 pontos e levou o clube do 13º ao 6º lugar em algo sustentável até o final da temporada. Trata-se de um processo que combina gestão de elenco, leitura tática e capacidade de lidar com o calendário, não apenas de entusiasmo individual.
Faltam 13 partidas para o término do campeonato, e o comparecimento dos calendários torna as próximas semanas potencialmente decisivas. A Atalanta poderá capitalizar nos duelos diretos previstos, ao mesmo tempo em que observa os obstáculos enfrentados por adversários diretos: a Juve, por exemplo, tem um calendário que inclui o confronto com o Como na próxima rodada e, depois do pesado resultado na primeira mão das competições europeias, um duelo com a Roma no Olímpico. A Juventus foi recentemente eliminada na Coppa Italia, fato que altera rotinas e prioridades.
O Como terá desafios congestos entre o confronto com o Lecce e a atenção à semifinal de ida contra o Inter, enquanto a Roma encara adversários como a Cremonese neste fim de semana. Dentro desse xadrez de jogos, perceber o valor simbólico de uma vitória em Bergamo é também entender seu impacto sobre moral, projeções e, sobretudo, memória coletiva — a Atalanta não busca apenas pontos, mas a afirmação de um projeto que se tornou referência no futebol regional e nacional.
Em termos práticos, a rota para a Champions permanece estreita, porém aberta. Será tarefa de Palladino e do clube transformar o momento de confiança em consistência: administrar lesões, alternar competições e manter uma leitura refinada dos adversários. O calendário dirá se a noite de Bergamo será um passo histórico ou apenas mais um capítulo de um duelo longo e disputado pela Europa.





















