Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Uma medalha de madeira que, em significado, pesa como ouro. Em condições adversas — sob uma neve intensa que marcou toda a jornada em Val di Fiemme — a dupla gardenesa formada por Samuel Costa e Aaron Kostner alcançou um resultado que transcende a estatística: o quarto lugar na prova por equipes da combinada nórdica, disputada ontem em Tesero. Para uma disciplina tradicionalmente dominada por Noruega, Finlândia e Áustria, a performance dos italianos foi ao mesmo tempo surpreendente e emblemática.
No salto, realizado no trampolino HS141, a equipe italiana não teve largada ideal: a soma das marcas deixou Costa e Kostner apenas na 11ª posição provisória. Mas foi na pista de fundo, com neve abundante e visibilidade comprometida, que os dois mostraram a verdadeira dimensão do resultado. Com o melhor tempo entre as equipes, recuperaram terreno de forma incisiva e regular, fechando a prova a apenas 1 minuto e 03 segundos da Noruega, vencedora, com Finlândia e Áustria completando o pódio.
O contexto torna o quarto lugar ainda mais significativo. Para Samuel Costa, tratou-se da última corrida da carreira — um adeus competitivo que carrega a intensidade de quem se despede em casa e lança um legado. Para Aaron Kostner, é um impulso no percurso de afirmação dentro de uma especialidade onde a infraestrutura e a tradição dos países nórdicos frequentemente faz a diferença. Mais do que um resultado: uma prova de que estruturas locais, investimento e uma geração de atletas podem reduzir distâncias históricas.
Num comportamento que define bem o caráter social do esporte, a prova em Val di Fiemme ofereceu um espelho: estádios e pistas deixam de ser apenas equipamentos e tornam-se palcos de memória coletiva, onde cidades e regiões se reconhecem. A performance de Costa e Kostner é, assim, também um sinal para a federação e para os clubes — a mensagem de que persistência e planejamento competem com tradição.
O dia, porém, foi duplo para a delegação italiana. No curling masculino, a aventura olímpica de Amos Mosaner e do quarteto cembra terminou diante da Suíça, por 9 a 5. A derrota eliminou as chances de medalha, mas consolidou um marco: a Itália fechou em sexto lugar, subindo três posições em relação a Pequim 2022 e registrando o melhor resultado da sua história olímpica na modalidade. Um avanço palpável, embora marcado pelo desapontamento de não disputar o pódio.
O programa segue intenso: hoje, em Antholz/Anterselva, a mass start do biatlo masculino (14h15) traz nomes como Tommaso Giacomel e Lukas Hofer na disputa direta por medalhas; no skicross feminino (a partir das 10h) Jole Galli e Andrea Chesi estarão entre as favoritas; e à noite, no short track, a trentina Arianna Sighele volta à pista nos 1.500 m, enquanto a equipe masculina de pista curta — com Pietro Sighel e Thomas Nadalini — busca reagir após resultados abaixo do esperado.
Mais do que classificações, Tesero nos deixou uma leitura: resultados esportivos, quando conquistados em casa, reverberam como atos de afirmação regional e nacional. O quarto lugar de Costa e Kostner é, nesse sentido, uma declaração — sobre possibilidades, sobre memória e sobre o futuro da combinada nórdica italiana.






















