Por Giulliano Martini – Correspondente Espresso Italia. A Delegacia de Milão convocou para amanhã, a partir das 9h30, o depoimento dos quatro agentes indiciados no caso do pusher morto, Abderrahim Mansouri. Os policiais respondem a acusações de favorecimento e omissão de socorro no inquérito que apura a morte do jovem de 28 anos após um disparo de arma de fogo efetuado pelo colega Carmelo Cinturrino, atualmente investigado por omicídio voluntário.
O procurador Marcello Viola e o promotor Giovanni Tarzia apontaram, em documentos da investigação, a existência de diversas incongruências entre os relatos dos agentes e os elementos de prova reunidos no local. Segundo a linha de apuração, há indícios de atrasos na solicitação de socorro quando Mansouri já se encontrava em estado “agonizante” após ser atingido na cabeça.
Os quatro policiais foram formalmente inscritos no registro dos indiciados depois que os investigadores registraram respostas contraditórias sobre a sequência de movimentos, a posição dos presentes e a conduta dos colegas durante a ocorrência. Entre as anotações da acusação está a hipótese de que os agentes teriam omitido intencionalmente a presença de testemunhas ou a sua própria conduta, e que teriam prestado declarações “não conformes ao vero” com o objetivo de proteger Cinturrino.
A convocação entregue ontem determina que os investigados compareçam à Questura de Milão para prestar esclarecimentos. Em sede de interrogatório, os policiais poderão optar por exercer a faculdades de não responder, medida prevista no ordenamento processual enquanto a investigação segue em curso, ou tentar rebater imediatamente as acusações descritas nas notificações recebidas.
Segundo relatos preliminares, no dia 26 de janeiro a ação ocorreu numa área nas imediações do chamado “bosco della droga” em Rogoredo. Três dos agentes indiciados estariam envolvidos diretamente na detenção de um suposto vendedor de entorpecentes, enquanto um quarto teria permanecido próximo a Cinturrino, conforme o depoimento deste último no qual explica ter efetuado o disparo.
Do ponto de vista processual, a inscrição no registro dos indiciados não determina culpa, mas traduz a existência de elementos suficientes para a abertura formal de investigação. A Procuradoria local continua o trabalho de cruzamento de fontes e verificação de evidências, incluindo gravações, imagens e eventuais depoimentos de terceiros que possam corroborar ou refutar as versões apresentadas pelos policiais.
Fontes da apuração em Milão informaram a este correspondente que os investigadores priorizam estabelecer o tempo exato entre o disparo e as tentativas de socorro, bem como identificar se houve omissão deliberada de procedimentos médicos de emergência. A linha do procurador Viola e do promotor Tarzia é consolidar um quadro cronológico rigoroso que permita aferir responsabilidades penais e disciplinares.
Este é um caso que reúne elementos sensíveis: morte durante ação policial, dúvidas sobre conduta institucional e a possibilidade de encobrimento entre colegas. A apuração in loco e o cruzamento de provas serão determinantes para a evolução da investigação.
Atualizaremos a matéria assim que houver desdobramentos dos interrogatórios ou novas comunicações oficiais da Procuradoria de Milão.






















