Por Marco Severini — A NASA confirmou a conclusão bem-sucedida de todos os testes preliminares e dos ensaios gerais que precedem a missão Artemis II, marcada para decolar já no próximo mês. Com o aval final das equipes técnicas, os quatro astronautas designados para orbitar a Lua iniciaram, a partir de hoje, o período de quarentena destinado a reduzir o risco de contaminação por eventuais doenças antes do lançamento, atualmente previsto para antes de 6 de março, embora a data precisa ainda não tenha sido fixada.
O tripulado da missão será composto pelos norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen, representando a Agência Espacial Canadense. A presença de um astronauta parceiro ilustra a natureza cooperativa e geométrica da atual fase de exploração lunar, em que blocos estratégicos se interconectam como peças num tabuleiro de xadrez.
Os ensaios de lançamento realizados no Kennedy Space Center, na Flórida, foram acompanhados de perto pelos quatro membros do Launch Control. Durante as operações, os times deram atenção especial ao procedimento de abastecimento com hidrogênio líquido, cuja manipulação havia apresentado complexidades em testes anteriores. As medições confirmaram que as concentrações de hidrogênio permaneceram abaixo dos limites regulamentares, fator que trouxe confiança aos engenheiros quanto às novas guarnições instaladas na interface de suprimento ao lançador.
Nem tudo, porém, foi isento de percalços. No início das operações de abastecimento, houve uma interrupção nas comunicações de solo no Launch Control Center. As equipes acionaram canais de comunicação redundantes para manter a segurança das operações até a restauração dos canais primários; os engenheiros conseguiram isolar o equipamento responsável pela falha sem comprometer a sequência de preparação. Esse episódio reforça o princípio clássico da arquitetura resiliente: redundância e isolamento mitigam riscos sistêmicos.
Ainda nos próximos dias, guindastes serão empregados para instalar plataformas de acesso temporárias sobre o veículo de lançamento móvel. Essas plataformas permitirão o acesso aos segmentos superiores dos boosters de combustível sólido do SLS e ao intertanque, para manutenção e novos ensaios do sistema de terminação de voo — testes exigidos para assegurar total conformidade com requisitos de segurança. As plataformas são resultado direto das lições aprendidas durante a missão Artemis I e possibilitam à NASA efetuar verificações completas do sistema a partir da rampa, sem a necessidade de deslocar o veículo novamente ao Vehicle Assembly Building.
A cápsula Orion, que transportará os quatro tripulantes, será lançada pelo foguete mais potente já construído pela NASA. A missão prevê que o conjunto orbite a Terra por diversas voltas antes de empreender uma travessia de aproximadamente quatro dias rumo à vizinhança lunar, culminando em um sobrevoo da superfície do satélite natural e no retorno à Terra. No total, a duração estimada é de cerca de dez dias, período durante o qual a tripulação deverá, em momentos críticos, assumir o controle manual da nave — um teste essencial da interoperabilidade entre homem e máquina em trajetórias cislunares.
Do ponto de vista estratégico, Artemis II representa um movimento decisivo no tabuleiro da exploração espacial: não apenas um retorno físico à Lua, mas um redesenho de fronteiras invisíveis entre nações parceiras, capacidades industriais e normas de segurança orbital. A missão servirá como um alicerce para futuras operações tripuladas e para a consolidação de corredores seguros de acesso lunar, cuja estabilidade influenciará a tectônica de poder no espaço nas próximas décadas.
Enquanto as equipes finalizam as verificações e a contagem regressiva se aproxima, o mundo observa com interesse calculado. Se as próximas verificações confirmarem a robustez dos sistemas, a janela de março poderá selar mais um movimento significativo na arquitetura da presença humana além da órbita terrestre.






















