Por Chiara Lombardi — Em uma conversa franca no programa Cinque minuti, Carlo Conti anunciou que a modelo Bianca Balti voltará ao Sanremo para subir ao palco do Ariston na noite de sexta-feira. “Ficarei feliz de recebê-la novamente na sexta, ela volta depois de um ano para nos contar esse período de grande força e energia”, disse Conti, antecipando um momento que mistura glamour e memória — como um espelho do nosso tempo onde a imagem pública reflete trajetórias pessoais.
Questionado sobre a possibilidade de igualar os treze festivais de Pippo Baudo — homenagem a quem esta edição se refere — Conti foi direto: “Por enquanto, me bastam esses cinco; eu paro por agora. Claro, ‘do amanhã não há certeza’, como dizia um ilustre concidadão meu. Mas, depois destes dois anos, vou respirar um pouco”. A resposta tem a economia de um diretor de cena que conhece o custo emocional e físico do espetáculo.
Ao falar sobre os artistas que ajudou a lançar, Carlo Conti lembrou-se com gratidão das “descobertas” que surgiram nas suas edições: nomes como Ermal Meta, Gabbani, Irama e Mahmood — além de Serena Brancale — frutos do concurso de novas propostas que fecundou várias carreiras. Essa curta lista funciona como o roteiro oculto da indústria cultural: festivais não são apenas vitrines, são mapeadores de trajetórias.
Sobre a edição atual, Conti destacou que montou “uma bela equipe” e explicou o papel central de Laura Pausini como fio condutor: “Esta grande estrela que o mundo nos inveja” reunirá diferentes universos no palco, promovendo um programa que pretende ser plural e cosmopolita ao mesmo tempo — um reframe da realidade nacional dentro de um cenário europeu.
O apresentador também comentou o encontro com o presidente Mattarella: “O presidente nos honrou com este encontro e disse palavras importantes para todo o setor”. A presença institucional reforça a dimensão simbólica do festival como espaço de memória coletiva e celebração cívica.
Outra confirmação feita por Conti foi a de Andrea Pucci, convidado de sua livre escolha: “Ele recebeu o bilhete de ouro na Arena de Verona, lota teatros, faz rir — o marchio Sanremo atrai para falar e, às vezes, para criticar”. Indagado sobre o medo de alguns artistas — referência ao desconforto que sobreveio a outros participantes como Crozza — Conti relativizou: “É uma escolha pessoal”.
Um dos temas curiosos levantados na entrevista foi a palavra que domina as menções nas redes: não mais apenas ‘amor’, mas ‘fastidio’. Segundo Conti, o refrão repetido transforma canções em tormentões e desloca a métrica das citações: a popularidade se mede agora pelo eco cultural do viral.
Sobre a predominância masculina no pódio na última década — e a única exceção citada recentemente — Conti espera mudança: “Speriamo de ir contra essa tendência”. Haverá também dois episódios de Sanremo Top para revisitar as classificações e avaliar o resultado junto ao público nas semanas seguintes.
Por fim, uma imagem que parece saída de um roteiro carregado de simbolismo: a principal convidada da primeira noite será uma senhora de 106 anos que, há 80 anos, participou do primeiro voto no referendo de 2 de junho de 1946. “Vamos perguntar o que ela votou” — disse Conti — um gesto simples que traduz a capacidade do festival de articular passado e presente, memória e celebração, como se o palco do Ariston fosse um espelho das narrativas que definem nossa identidade coletiva.
Em suma, o retorno de Bianca Balti e as escolhas de Carlo Conti compõem, mais uma vez, um mosaico onde moda, música e história se encontram — o roteiro oculto de uma nação que se vê e se repensa sob os refletores.






















