Em intervenção no evento Progetto Donna, em Milão, a deputada do PD Lia Quartapelle afirmou que a verdadeira mudança na condição feminina exige medidas concretas e mensuráveis: “Não basta ser representada por mulheres, se depois não se conduzem batalhas reais pela sua liberdade. Uma liberdade que passa, antes de tudo, pela independência econômica, portanto pelo salário”. A declaração foi feita nesta manhã, durante iniciativa promovida pelo Ordine degli ingegneri da província de Milão.
O discurso de Quartapelle combinou memória histórica e diagnóstico atual. Ela recordou a realidade do início do século XX em Milão, quando meninas de seis a dez anos trabalhavam como ajudantes de costureira — as chamadas “piccinine” — e foram protagonistas, em 1902, de um greve que limitou o peso das encomendas a 30 quilos. “Aquela greve representou um ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre o trabalho infantil e o trabalho feminino na Itália”, disse a parlamentar, em tom documental, com base no levantamento histórico que costuma fundamentar suas intervenções.
No levantamento apresentado, Quartapelle destacou avanços educacionais: o número de mulheres diplomadas em áreas científicas e técnicas — da economia à engenharia — cresceu de forma significativa. “Os resultados acadêmicos das mulheres, muitas vezes, superam os dos colegas homens e, em muitos casos, os tempos de inserção no mercado de trabalho são positivos. Isso é um sinal de progresso”, declarou.
Mesmo assim, a deputada advertiu que o divisor salarial persiste. Segundo sua avaliação, é imprescindível “atacar as causas estruturais que o geram”. Essa abordagem, afirmou, exige ir “à raiz dos problemas, compreender dinâmicas profundas, ultrapassar estereótipos e medos, intervindo de modo direcionado”.
Quartapelle chamou atenção para uma dimensão particular: nas liberas profissões o problema é mais complexo, porque os rendimentos não decorrem de salários fixos, mas de honorários profissionais. “Entre profissionais registradas em ordens — advogadas, engenheiras, arquitetas — mantém-se um substancial gap remuneratório em relação aos colegas homens, por múltiplas razões”, observou, apontando para fatores que exigem diagnóstico e políticas específicas.
O recado central do seu discurso foi prático: traduzir princípios em políticas tangíveis. “O trabalho que se realiza hoje — de forma concreta e mensurável, partindo das causas estruturais — é um passo decisivo para converter princípios altos e partilháveis em mudança real”, afirmou Quartapelle, vinculando a agenda presente às conquistas do século passado e à necessidade de renová-las diante de obstáculos contemporâneos.
Fechando a intervenção, a deputada sublinhou que a revolução em favor da condição feminina, iniciada no século XX, permanece em curso: “Foi uma das revoluções mais profundas e bem-sucedidas; continua hoje, embora enfrente novos obstáculos, por vezes mais insidiosos”. A mensagem final privilegiou a ação técnica e baseada em evidência como caminho para avançar na paridade de gênero e na independência econômica das mulheres, com foco nas profissões técnicas.
Apuração in loco, cruzamento de fontes históricas e análise das dinâmicas profissionais formaram o fio condutor do pronunciamento: fatos brutos, riscos estruturais e propostas concretas para transformar avanços educacionais em igualdade efetiva no trabalho e na remuneração.






















