Milão — Em discurso direto e fundamentado, o tesoureiro do Ordine degli Ingegneri da província de Milão, Carmelo Iannicelli, afirmou que a paridade de gênero não é apenas uma questão de justiça social, mas um fator decisivo para a competitividade do país. A declaração foi feita durante o evento Progetto Donna, realizado no Palazzo Isimbardi, iniciativa promovida pela Ordem dos Engenheiros de Milão dedicada à presença feminina nas profissões técnicas e científicas.
“O mundo está em transformação e necessitamos de todas as recursos: não podemos permitir que talentos inexpressos fiquem de fora”, disse Carmelo Iannicelli. Na avaliação do representante da Ordem, a transição digital, as mudanças ambientais e os desafios geopolíticos tornam ainda mais crítico o aproveitamento pleno do capital humano disponível.
O Progetto Donna teve abordagem tripartite, conforme descrição do próprio Iannicelli: primeiro, a construção de alianças com instituições e empresas; segundo, a partilha de experiências para promover maior consciência sobre o tema; e, por fim, a apresentação de métricas e ferramentas práticas. “Fechamos a jornada com um enfoque específico em instrumentos para melhorar e aumentar a autoconsciência”, completou.
No tom jornalístico que norteou a cobertura, a programação do encontro enfatizou a necessidade de ações concretas: pactos institucionais com metas mensuráveis, programas de desenvolvimento para profissionais femininas em áreas técnicas e mecanismos de monitoramento capazes de aferir avanços reais na ocupação de posições técnicas e decisórias.
Da apuração em loco e do cruzamento de fontes presentes ao evento emergiu um entendimento pragmático: a igualdade de gênero em setores como engenharia não é um objetivo isolado, mas parte de uma estratégia nacional para fortalecer vetores de inovação e resiliência econômica. A falta de aproveitamento de competências femininas representa, na visão dos palestrantes, um custo de eficiência que o país não pode sustentar num cenário de competição internacional crescente.
O discurso de Iannicelli procurou também posicionar a Ordem como agente catalisador: promover diálogo entre empresas, universidades e instituições públicas, além de oferecer ferramentas práticas para que mulheres em formação ou já inseridas no mercado possam ampliar sua presença em funções técnicas e de comando. A meta explícita é traduzir intenção em resultados mensuráveis, com indicadores que permitam avaliar progresso e corrigir rumos.
Em resumo, o encontro reafirmou duas linhas de ação complementares: políticas de aliança institucional e empresarial, e programas de capacitação e autoconhecimento profissional. A conclusão técnica é clara e sem rodeios: deixar talentos inexpressos representa um entrave estrutural à competitividade nacional — e precisa ser enfrentado com instrumentos concretos e mensuráveis.
Giulliano Martini — correspondência de Milão; apuração in loco, cruzamento de fontes e fatos brutos para Espresso Italia.






















