Andrea Abodi, ministro para o Esporte e os Jovens, defendeu nesta quinta-feira em Livigno uma visão de horizonte sobre a ideia de uma candidatura italiana para as Olimpíadas 2040, qualificando-a como um projeto atraente — porém de longo prazo. Chegando à Casa Italia, Abodi traduziu a tentação de olhar para o futuro em cautela institucional: “Os sonhos pertencem a um tipo de pessoas que vive não só do sonho, mas da vontade e da capacidade de transformá‑lo em objetivos comuns. O 2040 é um tempo fascinante, mas distante.”
A declaração, curta e precisa, foi dita no epicentro simbólico dos Jogos de Inverno que a Itália acolhe em 2026 — as estruturas e as narrativas de Milano Cortina continuam a ocupar a agenda esportiva do país. Abodi enfatizou que, enquanto os Jogos estiverem em curso, a prioridade do governo e das instituições deve permanecer no que acontece agora: a competição em andamento, a organização logística e, acima de tudo, os atletas que lutam por suas provas e por reconhecimento.
“Acredito que até o final dos Jogos, o que inclui também os Paralímpicos, devemos concentrar‑nos no presente”, afirmou o ministro, lembrando que ainda há dias cruciais de competição pela frente — e que depois haverá novas janelas importantes, de 6 a 15 de março, com implicações tanto desportivas quanto diplomáticas. Referiu‑se, de forma contida, às “delicadezas” e às considerações geopolíticas que têm marcado conversas recentes sobre o esporte internacional.
No tom que lhe é habitual, Abodi evitou promessas precipitadas sobre iniciativas de longo prazo como uma candidatura romana para 2040. A leitura pública que fez reforça um ponto de vista institucional: projetos dessa escala exigem planejamento estratégico, consenso político e uma capacidade financeira e organizativa que não se decide de imediato. Há, também, uma dimensão cultural a considerar — o esporte como construção coletiva, memória urbana e investimento em infraestrutura.
Como repórter com foco histórico e cultural, é relevante sublinhar que o debate sobre futuras edições olímpicas não é apenas uma disputa por prestígio. Trata‑se de escolhas sobre recursos públicos, herança arquitetônica e impacto regional. A Itália, com sua tradição esportiva e territorial marcada por regiões fortes — de Milão ao território alpino de Cortina e Livigno — tem vantagens e responsabilidades singulares quando pondera candidaturas futuras.
Por ora, contudo, a mensagem de Andrea Abodi é de lentidão deliberada: olhar o horizonte é legítimo e até necessário, mas o compromisso imediato é com os jogos em curso e com aqueles que, no presente, representam o país nas pistas, nas pistas de gelo e nas arenas adaptadas para competições paralímpicas. É nesse contato direto com a competição que se decide, frequentemente, o sentido político e social que uma futura candidatura poderia — um dia — pretender traduzir em realidade.






















