Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Na noite de 19 de fevereiro de 2026, na Arena Santa Giulia, um capítulo relevante da história do esporte feminino foi reescrito: os EUA derrotaram o Canadá por 2-1 na final do hóquei feminino nos Jogos de Milano Cortina 2026, decidindo a partida na prorrogação com um gol de ouro assinado por Keller. O desfecho consagra a seleção americana com o terceiro título olímpico em sua trajetória no torneio feminino.
O jogo teve o ritmo e a tensão esperados de uma final entre duas potências históricas do esporte sobre o gelo. Foi o Canadá quem abriu o placar, com a jogadora O’Neill anotando o primeiro gol e colocando sua equipe em vantagem. A resposta americana, porém, revelaria a resiliência tática que marcou a campanha dos EUA ao longo do torneio.
Com o relógio a favor dos canadenses por boa parte do tempo, o enredo mudou apenas quando a atacante Knight conseguiu empatar o jogo a dois minutos do fim do terceiro período. Esse empate perdeu-se de sua dimensão puramente numérica: simbolizou a persistência de uma equipe que interpretou o confronto como uma disputa por identidade esportiva, visão e continuidade de um projeto de alto rendimento que se estende para além do ouro.
A prorrogação confirmou a desigualdade de detalhes que separa vitórias e títulos. Em jogada de intensidade crescente, Keller encontrou o espaço decisivo e marcou o golden goal que fechou o placar em 2-1, detonando celebrações nos bancos americanos e silenciando momentaneamente a tradição rigorosa que o Canadá construiu no hóquei feminino.
Mais do que o resultado, a partida reafirma um fenômeno: o hóquei feminino internacional vive um momento de construção institucional e simbólica. Estádios como a Arena Santa Giulia transformam-se, nas grandes noites, em lugares de memória coletiva onde gerações de atletas e torcedores consolidam significados. O ouro americano em Milano Cortina 2026 não é apenas uma medalha; é a continuação de um projeto que liga formação, cultura esportiva e investimentos, e que agora soma mais um capítulo a ser estudado por historiadores e analistas.
Para o Canadá, a derrota expõe a fragilidade de certos momentos decisivos, mas também realça a solidez de um modelo que continua a produzir competitividade e talentos. Para os EUA, o ouro confirma a capacidade de reagir em situações de pressão e a maturidade de um grupo que soube transformar os erros e as provas em construção coletiva.
Ao final, a imagem que fica é a de duas potências que se confrontam não só pelas cores, mas por projetos esportivos distintos que refletem escolhas sociais e institucionais. Em Milano Cortina 2026, a vitória americana entrou para o registro como um símbolo: no esporte contemporâneo, o triunfo é simultaneamente técnico e cultural.
Ficha do jogo: EUA 2, Canadá 1 (tempo extra). Gols: O’Neill (Canadá); Knight (EUA, 58′); Keller (EUA, prorrogação). Local: Arena Santa Giulia, Milano. Data: 19/02/2026.






















