Paolo Petrecca, diretor da Rai Sport, anunciou que remeteu seu mandato nas mãos do administrador delegado da Rai, Giampaolo Rossi, e deixará o cargo ao final das Olimpíadas de Milão-Cortina. A mudança foi comunicada oficialmente pela emissora em nota, que também informou que, de forma transitória, a responsabilidade da direção de Rai Sport ficará a cargo de Marco Lollobrigida.
O gesto formal de remeter o mandato é um ato administrativo que encerra um ciclo executivo dentro da radiotelevisão pública italiana e marca a gestão de Petrecca com um ponto final coincidente com um grande evento simbólico: as Olimpíadas em solo italiano. A nota institucional da Rai não detalhou motivos adicionais nem o cronograma preciso de transição, limitando-se a comunicar o desfecho e a nomeação provisória.
Como observadora que vê no entretenimento e na cobertura esportiva um espelho do nosso tempo, a saída do diretor antes da conclusão do ciclo olímpico abre leituras além do anúncio. A cobertura esportiva, especialmente em época olímpica, não é apenas transmissão de resultados; é um roteiro de narrativa nacional, uma semiótica que molda memórias coletivas e a imagem do país perante o mundo. A escolha do momento para a renúncia — coincidente com o clímax midiático das Olimpíadas de Milão-Cortina — reforça a ideia de que a gestão de uma emissora pública vive em diálogo constante com eventos que reescrevem a paisagem cultural.
A transição provisória assumida por Marco Lollobrigida terá, portanto, a tarefa de conduzir a máquina esportiva da Rai durante um período de intensa visibilidade internacional. A responsabilidade é dupla: garantir a excelência técnica e jornalística das transmissões e preservar a coerência editorial num momento em que a narrativa esportiva influencia percepções sobre identidade, política cultural e memória coletiva.
Ao remeter o mandato ao administrador delegado Giampaolo Rossi, Petrecca realiza um ato formal que abre espaço para decisões futuras sobre a liderança de Rai Sport após os Jogos. Resta saber se a transição será apenas temporária ou se será o primeiro passo para uma reformulação mais ampla na cobertura esportiva da Rai, sobretudo considerando os desafios do streaming, da fragmentação de audiência e da pressão por inovação editorial.
Em termos simbólicos, a saída de um diretor no limiar de uma Olimpíada funciona como um corte de cena: a direção que encerra sua atuação antes de o público assistir ao desfecho completo autoriza interpretações sobre autoria, legado e a direção editorial que ficará registrada no arquivo das transmissões. Para o espectador, a mudança talvez passe despercebida em meio ao espetáculo; para os analistas culturais e profissionais da mídia, é um momento para ler o roteiro oculto da emissora e antecipar possíveis reconfigurações.
A Rai divulgou a nota oficial e manteve um tom institucional. Aguardam-se agora informações adicionais sobre a duração do encargo interino, possíveis candidatos à direção permanente e as linhas estratégicas que orientarão a cobertura pós-olímpica. Até lá, a missão de manter a transmissão como um palco de histórias — individuais e coletivas — ficará a cargo de Lollobrigida, em uma antecâmara que pode definir a próxima cena do esporte na televisão pública italiana.






















