Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O Comitato Olimpico Nazionale Italiano (CONI) escolheu Lisa Vittozzi e Davide Ghiotto como os portabandiera da delegação italiana na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026, marcada para domingo, 22 de fevereiro, na Arena di Verona, com início previsto às 20h (transmissão também pela RaiNews.it).
A decisão de confiar a bandeira a uma dupla — uma mulher e um homem, ambos campeões olímpicos — tem um valor simbólico claro: sublinhar o equilíbrio, a representatividade e a capacidade do Italia Team de projetar uma imagem coletiva que vai além das performances individuais. Mais do que dois nomes, trata-se de duas trajetórias que sintetizam a narrativa desses Jogos: recuperação, afirmação e renovação.
Lisa Vittozzi, nascida em 1995, consolidou-se nesta edição como uma das figuras centrais em casa. O ouro conquistado na prova de perseguição feminina representa um marco: o primeiro título italiano na história dessa disciplina. Além disso, o pódio com a prata na staffetta mista acentua seu papel coletivo, especialmente relevante depois de um retorno ao esporte que veio na sequência de um grave infortúnio que a afastou durante toda a temporada 2024/25. A trajetória de Vittozzi é, em pequena escala, a história de como sistemas de suporte, treino e resiliência pessoal se cruzam para permitir o retorno ao topo.
Davide Ghiotto, originário de Vicenza, encarna outro aspecto da renovação italiana no gelo: a consagração de um projeto de equipe. Seu ouro na prova de perseguição por equipes masculinas, ao lado de Andrea Giovannini e Michele Malfatti, devolveu a Itália ao degrau mais alto da especialidade após duas décadas. O resultado corona uma sequência de apresentações sólidas do atleta — que também obteve um 6º lugar nos 10.000 metros e um quarto lugar nos 5.000 metros — e confirma um trabalho de formação e estratégia que teve maturidade para se expressar em grande plano.
A presença de Vittozzi e Ghiotto no centro da imagem oficial de encerramento funciona como síntese: eles entrarão na Arena di Verona com o Tricolore para fechar um ciclo de emoções, recordes e resultados que projetaram a Itália a níveis inéditos no desporto de inverno. A delegação azzurra superou a marca histórica, com mais de 25 medalhas — um feito que redesenha, ainda que temporariamente, o mapa do poder esportivo europeu nas modalidades frias.
Do ponto de vista cultural, a escolha de uma dupla mista como símbolo final desses Jogos assume um significado além do óbvio cerimonial. Representa uma leitura contemporânea do papel do desporto nacional: plural, inclusivo e construído sobre colaborações regionais e institucionais. Em termos práticos, a cerimônia de encerramento — transmitida em cadeia nacional e com participações artísticas — será o momento em que esses valores serão entregues ao público e às gerações que vão suceder os agora campeões.
Para Vittozzi, Ghiotto e para toda a delegação, a noite na Arena di Verona será uma despedida pública, mas também uma promessa: a imagem final do Tricolore sendo conduzido por dois atletas que simbolizaram o melhor de uma edição caseira deixa como legado não apenas medalhas, mas ambição, orgulho e um pano de fundo organizacional capaz de nutrir novos talentos.
Em síntese, a escolha anunciada pelo CONI é tanto um reconhecimento esportivo quanto uma declaração simbólica. Ao verem os dois portadores da bandeira encerrarem Milano Cortina 2026, os italianos assistem a um gesto que liga passado, presente e futuro do desporto nacional — e que reafirma, de forma contida porém clara, a dimensão social e identitária dos Jogos.





















