Em uma noite que traça com clareza as duas faces do calendário europeu para times italianos, assistimos a uma vitória objetiva do Bologna em Bergen e à expectativa que envolve a Fiorentina diante do líder polonês Jagiellonia. São enredos distintos mas convergentes na importância: a possibilidade de resgatar uma temporada irregular por meio das competições continentais.
Fiorentina e Jagiellonia se enfrentam hoje às 21h, numa partida que representa mais do que um confronto de mata-mata: é um termo de reinvenção para uma equipe viola que precisa de resultados para realinhar ambições. O adversário, a formação polonesa atualmente na liderança do seu campeonato nacional, torna a visita um teste exigente e de caráter tático. O jogo de volta será no próximo quinta-feira, no Artemio Franchi, às 18h45 — uma segunda oportunidade, em casa, para transformar o resultado em vaga na fase seguinte da Conference League.
Em Bergen, o roteiro da partida de ida dos play-offs da Europa League foi definido cedo. O Bologna saiu na frente aos nove minutos, com um gol de Castro que aproveitou bem uma movimentação coletiva: bola que circulou na área até encontrar Bernardeschi, passe imediato para Cambiaghi e a enfiada para a corrida de Castro, cujo tiro rasteiro foi fatal — 1-0.
O cenário do jogo, no entanto, não foi de brilho técnico. O Brann impôs um domínio de posse prolongado — superior a 60% em grande parte do primeiro tempo — mas com finalizações pouco incisivas. A equipe norueguesa criou uma das melhores chances em escanteio, quando um cabeceio do atacante Myhre foi defendido e, na sequência, um tap-in de Ingason acabou por sobrevoar a trave. Foi o momento de maior perigo para os visitantes.
O goleiro Skorupski teve papel importante naquela fase, segurando a pressão local e garantindo que o marcador fosse favorável ao clube italiano até o intervalo. No segundo tempo, a leitura da partida pelo treinador Vincenzo Italiano privilegiou a pragmática contenção dos espaços e a busca por transições: o Bologna mostrou-se, a trancos e barrancos, mais eficaz nos momentos decisivos, tentando explorar as distrações do adversário para ampliar o placar.
Resultado prático: uma vantagem magra, porém significativa, para o jogo de volta marcado para quinta-feira às 21h em Bologna. Para Italiano, a missão é manter a solidez defensiva e acertar o pulso ofensivo do time, fatiando melhor as oportunidades no último terço.
Ambas as eliminatórias sublinham algo que observo com frequência: para clubes italianos, as copas europeias têm se convertido em arenas de reputação e sobrevivência esportiva. Uma boa campanha reveste de credibilidade projetos técnicos e administrações, enquanto eliminações prematuras podem acentuar crises internas e expectativas. Em suma, o futebol europeu segue sendo espelho e motor da temporada — e esta semana oferece dois capítulos distintos dessa narrativa.
Próximos confrontos:
- Fiorentina x Jagiellonia — Ida: hoje às 21h; Volta: quinta-feira, 18h45, no Artemio Franchi.
- Bologna x Brann — Volta: quinta-feira, 21h, em Bologna (Bologna segura 1-0 no agregado).
Esses encontros servirão para medir não apenas formas e esquemas, mas resiliência institucional: quem usa o resultado para projetar continuidade e quem vê o confronto como última chance de reescrever a narrativa de uma temporada ainda em busca de contornos.






















