Relatório técnico do serviço meteorológico francês confirma: a França entrou em um ciclo de precipitações que totaliza 35 dias consecutivos de chuva, o maior período registrado desde o início das medições em 1959. A informação foi divulgada por Météo-France, que aponta que o intervalo entre 14 de janeiro e 17 de fevereiro acumulou volumes que já provocaram inundações em diversas regiões.
O atual marco supera o recorde anterior, estabelecido em 2023. Segundo o serviço meteorológico, a sequência ainda pode se estender: novos sistemas de chuva são previstos para os próximos dias, o que mantém o cenário de risco elevado.
Em Bordeaux, autoridade municipal declarou mobilização imediata e ativou o plano de emergência — medida inédita em situação de alerta vermelho para inundações desde a tempestade de 1999. O prefeito Pierre Hurmic determinou ações de proteção à população; o gabinete municipal anunciou que “medidas significativas serão detalhadas” em conferência de imprensa marcada para hoje às 16h. O serviço de monitoramento de cheias, Vigicrues, alerta para um aumento do nível das águas associado à maré alta na madrugada seguinte, com impacto previsto nas áreas de Libourne e Bordeaux.
O balanço operacional também registra ocorrência grave no curso do rio Loira. Uma embarcação virou enquanto três pessoas atravessavam o rio; duas foram resgatadas e uma permanece desaparecida. O prefecto local informou que equipes de socorro foram mobilizadas, mas destacou a dificuldade das buscas diante da força das correntes e da largura do rio, reduzindo as chances de localização.
Até o momento, quatro departamentos estão sob alerta vermelho para inundações, pelo menos até a quinta-feira: Charente-Maritime, Gironde, Lot-et-Garonne e Maine-et-Loire, conforme boletim do Météo-France. Outros dez departamentos foram colocados em alerta laranja por risco de chuva intensa e inundações: Morbihan, Mayenne, Finistère, Ille-et-Vilaine, Sarthe, Loire-Atlantique, Vendée, Charente, Tarn-et-Garonne e Landes.
O prognóstico hidrológico enfatiza risco de inundações “muito significativas” em vários cursos d’água, com atenção redobrada para a baixa Garonna, a baixa Charente e a região de Angers. Vigicrues advertiu que áreas pouco habituadas a cheias podem ser atingidas, ampliando o impacto social e logístico.
Relato técnico e operacional em curso: autoridades locais mantêm monitoramento contínuo, planos de emergência foram acionados e equipes de socorro permanecem em prontidão. O cruzamento de fontes oficiais — Météo-France, Vigicrues e comunicados das prefeituras afetadas — é a base desta apuração. A série de precipitações constitui um novo ponto de atenção para a gestão de riscos hídricos na França e exigirá acompanhamento nas próximas 48 a 72 horas, período em que novas frentes de chuva são previstas.
Este é um relatório factual, com dados e alertas oficiais. A realidade traduzida dos números e das determinações de emergência seguirá sendo atualizada à medida que as instituições emitirem novos comunicados.






















