Roma, 19 de fevereiro de 2026 — O preço do petróleo voltou a subir com força e alcançou o nível mais alto em seis meses, em meio ao aumento das tensões entre os EUA e o Irã e ao massivo desdobramento de forças americanas na região. O movimento dos mercados reflete uma reconstrução do prêmio por risco geopolítico, com operadores já considerando a possibilidade de um conflito prolongado.
Os contratos do WTI subiram cerca de 2%, chegando a US$ 66,48 por barril e tocando um pico intradiário de US$ 66,71, o maior valor desde agosto passado. O Brent também avançou, registrando uma alta de 1,4% e fechando em US$ 71,45 por barril. Os números traduzem a reação imediata dos mercados financeiros diante de sinais de escalada diplomática e militar.
No centro das preocupações está a reafirmação, por parte do Irã, do seu “direito” ao enriquecimento de urânio, e as declarações dos EUA, que não descartam ações militares. O presidente Donald Trump mencionou opções militares em entrevistas recentes, e a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que para Teerã seria “muito sensato fechar um acordo”. Por sua vez, o vice-presidente Vance declarou insatisfação com a recusa iraniana em aceitar as “linhas vermelhas” definidas pelos Estados Unidos.
A expectativa de avanços diplomáticos — alimentada pelos contatos em Genebra — chegou a dar otimismo aos investidores, mas a situação deteriorou-se nas últimas 24 horas. Washington anunciou o envio de uma força naval e aérea de ataque ao Oriente Médio. Reportagens americanas indicam que o contingente estaria pronto para agir ainda neste fim de semana, caso o presidente dê a ordem.
Analistas interpretam o salto dos preços como consequência direta do fortalecimento do prêmio de risco. Ole Hansen, analista da Saxo Bank, observa que os agentes do mercado já trabalham com a hipótese de um conflito mais sustentado, em vez de um choque isolado. O impacto mais severo, caso a situação se intensifique, recairia sobre as instalações petrolíferas iranianas — o Irã está entre os dez maiores produtores mundiais — e, sobretudo, sobre o Estreito de Hormuz.
O Estreito de Hormuz é estratégico: por ali transita cerca de 20% do petróleo global. Mesmo interrupções parciais no trânsito de navios ou operações de seguro elevadas levariam a mudanças imediatas nas rotas, aumento dos prêmios de risco e gargalos logísticos bem antes de um eventual bloqueio total. “Somente Arábia Saudita e Emirados contam com infraestruturas significativas de contorno via oleodutos”, explica Hansen.
Além disso, os analistas da ING ressaltam que uma parte considerável do petróleo iraniano já está sujeita a sanções e encontra resistência de muitos compradores, o que limita a percepção de um excesso de oferta internacional. Essa dinâmica mantém os preços sob pressão ascendente, mesmo sem um choque físico direto às rotas comerciais.
Como correspondente atento aos alicerces da vida pública, observo que a atual fase é um teste para a arquitetura das decisões internacionais: a caneta que autoriza ações militares pode reconfigurar rotas de energia e impactar bolsos de cidadãos, imigrantes e empresas. Há uma ponte frágil entre decisões em Washington e Teerã e as consequências tangíveis nos mercados e no dia a dia dos consumidores.
Enquanto isso, investidores e governos monitoram sinais de diálogo em Genebra e movimentos de frota no Golfo. A recomendação para operadores é calibrar exposição e seguros, pois mesmo interrupções localizadas no Estreito de Hormuz têm capacidade de provocar um efeito dominó nos preços globais do petróleo.






















