Bruxelas – A Procura Europeia (EPPO) desmantelou uma organização criminosa ativa na Sicília que, entre 2018 e 2022, teria perpetrado uma ampla frode contra os fundos agrícolas da União Europeia. As investigações revelaram um esquema sofisticado de apropriação indevida de direitos de pagamento da Política Agrícola Comum (fundo PAC), no valor total que ultrapassa 1,4 milhão de euros.
Segundo o inquérito, o grupo constituiu sociedades fictícias em várias províncias sicilianas para obter, de modo fraudulento, direitos de pagamento provenientes da Riserva Nazionale, por um montante superior a 360 mil euros. Para enganar a AGEA (Agência para os Pagamentos na Agricultura), os suspeitos teriam declarado a posse e a propriedade de terrenos que não lhes pertenciam, além de falsificar alegações de aquisição por usucapião.
As provas recolhidas indicam que os rendimentos ilícitos foram canalizados para outras empresas, numa clara tentativa de ocultar a origem do dinheiro, ou reinvestidos — inclusive através da participação em leilões públicos para a compra de imobiliário rural. Entre as medidas cautelares decretadas estão o arresto domiciliário com pulseira eletrônica para um dos suspeitos e restrições administrativas e de financiamento para outros envolvidos.
Ao todo, 29 pessoas constam no registro de indiciados. O juiz para as investigações preliminares de Messina determinou que um dos investigados permaneça no seu município de residência e impôs a quatro outros a proibição de exercer cargos de direção em empresas ou de solicitar subsídios da UE ou contributos estatais por um período de um ano. Outros 23 suspeitos respondem por frode e lavagem de dinheiro.
Foram também executados mandados de apreensão: dois terrenos agrícolas na província de Messina, dois apartamentos na província de Catânia e cerca de 60 mil euros em títulos de pagamento da PAC emitidos pela AGEA.
Esta operação da EPPO reforça, no plano simbólico e operativo, a percepção de que as infiltrações criminosas nos mecanismos de suporte agrícola europeus constituem uma ameaça persistente. A Procuradoria Europeia já tinha anteriormente desmantelado outras redes: uma responsável por fraudes estimadas em 20 milhões de euros e outra por cerca de meio milhão de euros.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro da integridade dos fundos comunitários — um sinal claro de que os alicerces que sustentam a diplomacia econômica da UE exigem vigilância contínua. A operação ilustra como a combinação de estruturas legais vulneráveis e atores organizados pode redesenhar fronteiras invisíveis entre economia agrícola legítima e circuitos de enriquecimento ilícito.
Enquanto as investigações prosseguem e medidas judiciais adicionais podem ser anunciadas, permanece a necessidade de reforçar controlo administrativo, transparência e cooperação entre instituições nacionais e europeias para restaurar a confiança nos mecanismos de distribuição dos fundos da PAC.
Marco Severini
Analista sênior de geopolítica e estratégia internacional — Espresso Italia






















