Por Giulliano Martini
Em declaração durante os Estados Gerais dos pequenos municípios promovidos pela ANCI, o prefeito de Minervino di Lecce, Antonio Marte, apontou com clareza os limites administrativos e humanos que condicionam a prestação de serviços locais. O evento, que prossegue até 20 de fevereiro no Centro Congressi La Nuvola, em Roma, reuniu representantes de dezenas de cidades pequenas para um balanço técnico das políticas públicas voltadas aos territórios de menor dimensão.
“Estar aqui com todos os pequenos municípios italianos reunidos foi uma surpresa importante — disse Marte — porque nos permite levar à atenção não só da ANCI como também da Presidência do Conselho de Ministros as problemáticas relacionadas à gestão dos pequenos municípios”. A fala aponta diretamente para a necessidade de visibilidade institucional e para a busca de respostas centralizadas que atenuem constrangimentos locais.
O prefeito destacou o projeto ‘Piccoli’ da ANCI como um instrumento relevante: “é um contributo que oferece a formação e o enriquecimento técnico necessários para melhorar desempenho e serviços em nível comunal”. Trata-se, nas palavras do representante, de uma intervenção qualificada capaz de suprir lacunas de competência quando a expansão de quadros não é viável de forma imediata.
No núcleo das queixas está a questão do déficit de recursos e pessoal. Marte explicitou que muitas das dificuldades administrativas derivam da impossibilidade prática de contratar profissionais em número suficiente para cumprir delegações de funções por parte de Regiões e Províncias. “Faltam competências e profissionalidades idôneas — sintetizou — fazemos malabarismos, mas nem sempre os resultados são os melhores”. O diagnóstico é direto e técnico, baseado em apuração in loco e no cruzamento de fontes locais e regionais.
Entre as medidas sinalizadas como urgentes está a revisão do limite que impacta os secretários comunais no teto de gastos. Atualmente, a exceção favorece municípios com até 3.000 habitantes; para Marte, estender esse benefício a municípios de até 5.000 habitantes representaria “uma grande boccata d’ossigeno”, permitindo reforçar quadros e melhorar a capacidade de resposta administrativa.
O relato do prefeito compõe um quadro recorrente nas mesas técnicas da ANCI: a necessidade de conciliar autonomia local com mecanismos de apoio estruturado que incluam formação continuada, redistribuição de recursos e medidas normativas que reduzam impedimentos à contratação. O evento em La Nuvola funciona como plataforma de interlocução entre a base municipalista e o governo central, com propostas que, segundo os presentes, já estão sendo levadas para avaliação na Presidência do Conselho.
Conclui-se pela realidade traduzida: sem ajustes regulatórios e sem incremento planejado de pessoal qualificado, a melhoria dos serviços nos pequenos municípios continuará limitada. A voz de Minervino di Lecce reafirma a urgência técnica de intervenções que permitam transformar formação em governança operacional.
Apuração in loco e cruzamento de fontes. Giulliano Martini, correspondente da Espresso Italia.





















