Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma noite que misturou clima, viagem e falhas táticas, o Inter saiu derrotado por 3-1 diante do Bodo Glimt na primeira mão dos playoffs da Champions League. No sintético do Aspmyra Stadium, conhecido como “o inferno de gelo”, os nerazzurri de Chivu pagaram caro por uma segunda etapa cheia de erros e viram os noruegueses impor ritmo e objetividade.
A partida começou com o Inter tentando impor seu jogo: nos primeiros cinco minutos, houve duas oportunidades claras — um chute de Lautaro defendido por Gundersen e outra chance de Mkhitaryan que passou acima do gol. Apesar do início promissor, o plano nerazzurro esbarrava na adaptação ao campo e na capacidade do adversário de crescer ao longo do primeiro tempo.
Ao 20′, o Bodo Glimt acelerou e, com uma ação coletiva bem construída, abriu o marcador. Depois de trocas rápidas, Hoegh fez a assistência com um toque de calcanhar para Fet, que finalizou dentro da área. A reação do Inter veio com mais insistência: Darmian acertou o poste e, aos 30 minutos, Giovanni Esposito aproveitou um rebote na área após um cruzamento de Carlos Augusto para empatar a partida — um momento de esperança que, como se veria, não duraria.
O segundo tempo confirmou a inversão de controle. Ambos os times rondaram o gol, com Lautaro novamente ameaçando a trave e Sommer realizando intervenções; porém, foi o Bodo Glimt que encontrou consistência. Em um intervalo de três minutos, o time norueguês marcou duas vezes: primeiro com o ex-Milan Hauge, aos 61′, que concluiu com potência no canto; e aos 64′, Hoegh, que já havia dado duas assistências, fez o terceiro e selou o 3-1.
As substituições de Chivu — que incluíram nomes como Thuram e Zielinski — não alteraram a dinâmica. O campo, embora em condições adversas, não pode ser invocado como justificativa única; a leitura tática e a execução coletiva foram insuficientes para reagir a um adversário bem organizado e eficaz nos momentos decisivos.
Além do resultado imediato, a derrota lança questões maiores sobre a capacidade do Inter de transpor adversidades logísticas e competitivas na Europa contemporânea: clubes menores, bem geridos, demonstram crescente competência em competições internacionais, explorando coesão e contextos locais (como o clima e o jogo em sintético) a seu favor. A partida também expõe fragilidades na construção de jogo e na gestão de ritmos por parte do time italiano.
Agora, a chave muda para San Siro: terça-feira que vem, no duelo de volta, o Inter será chamado a uma remontada que exige mais do que talento isolado — exige estrutura, plano e, sobretudo, controle emocional. Para um clube de tradição europeia, o desafio é reinterpretar a derrota não como uma anomalia, mas como diagnóstico para uma correção mais ampla.






















