Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Estrada íngreme para a Atalanta na eliminatória de ida dos playoffs da Champions League. No Signal Iduna Park, o Borussia Dortmund venceu por 2 a 0, com gols de Guirassy e Beier ainda no primeiro tempo — um resultado que impõe à Dea a obrigação de buscar a recuperação no segundo jogo, em Bérgamo.
O início da partida já trazia elementos fora das quatro linhas: o pontapé inicial foi adiado em 15 minutos devido ao atraso do time alemão para chegar ao estádio, um episódio que reforça a tensão institucional que envolve jogos de grande porte. Em campo, o treinador do Dortmund, Kovac, deu sequência à aposta em talentos jovens ao escalar o italiano nascido em 2008, Reggiani, que havia estreado na Bundesliga apenas dez dias antes.
Do lado da Atalanta, Palladino optou por Scamacca no ataque e por Kossonou na linha defensiva. A estreia do último, porém, teve começo difícil: dois minutos de jogo bastaram para que fosse superado por Guirassy, que abriu o marcador. O lance nasceu de uma ação coletiva dos anfitriões — passe vertical de Beier para Ryerson, cruzamento preciso e cabeçada certeira de Guirassy para colocar o Dortmund à frente cedo no jogo.
A Atalanta tentou responder explorando a faixa esquerda, com a intensa ligação entre Kolasinac, Bernasconi e Zalewski, mas quando a bola chegava à área adversária faltava efetividade. Em contrapartida, o Dortmund mostrava maior objetividade nas transições e, aos 42 minutos, ampliou. Guirassy foi lançado nas costas da defesa, venceu o duelo com Djimsiti, chegou à linha de fundo e colocou na medida para Beier, livre na área, empurrar para o fundo da rede.
O 2 a 0 ao intervalo castigou a abordagem de Palladino e expôs as dificuldades da equipe italiana em impor seu jogo fora de casa diante de adversário fisicamente preparado e taticamente disciplinado. Na segunda etapa, a Atalanta voltou com intenção de furar a muralha amarela, mas esbarrou na estratégia conservadora dos donos da casa, que privilegiaram manter espaços mínimos e controlar o tempo do confronto.
Aos 56 minutos houve um momento de contestação: Krstovic caiu na área após contato com Anton, mas o árbitro Gozubuyuk entendeu por bem deixar seguir. Próximos ao final, aos 88, o recém-entrado Samardzic tentou variar pelo lado externo com um chute de fora da área; Kobel segurou com segurança e preservou o placar.
O contexto esportivo e simbólico deste 2 a 0 é claro: a Atalanta retorna a Bérgamo com a obrigação de uma resposta imediata, marcada para o próximo confronto no Gewiss Stadium, na quarta-feira às 18:45. Mais do que duas bolas a recuperar, trata-se de readaptar uma narrativa que tem no futebol europeu um termômetro de projeção institucional e de identidade comunitária. A Dea terá de resgatar a capacidade de criar perigo com variações e profundidade, sem perder a solidez defensiva que sustenta sua história recente.
A partida em Dortmund não é apenas um placar — é uma fotografia das assimetrias entre equipes em momentos distintos da temporada e da exigência que o futebol moderno impõe: gestão de elenco, decisões táticas e leitura de jogo em ambientes adversos.






















