Sam Altman, CEO da OpenAI e rosto mais conhecido por trás do ChatGPT, reafirmou em Nova Deli a necessidade imediata de normas que governem o avanço acelerado da inteligência artificial. Em sua intervenção no AI Impact Expo, Altman pediu medidas rápidas e coordenadas para mitigar riscos associados a tecnologias que se integram cada vez mais aos alicerces digitais da sociedade.
“Não estou dizendo que não precisamos de regulamentações ou salvaguardas. Precisamos, e com urgência, como acontece para outras tecnologias dessa potência”, declarou Altman. O executivo sugeriu a criação de uma entidade internacional — modelo análogo à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — para coordenar padrões e fiscalizações entre países.
Altman destacou um risco concreto e técnico: a emergência de biomodelos open source extremamente eficazes que poderiam facilitar a concepção de novos agentes patogênicos. “Precisamos de um enfoque social e sistêmico para nos defender contra isso”, afirmou, sublinhando que a tecnologia não existe isolada, mas inserida em uma rede de atores, infraestrutura e fluxos de dados.
Ao mesmo tempo, o CEO defendeu que a democratização da IA é o caminho mais seguro para garantir prosperidade global. Segundo ele, a concentração dessa tecnologia em uma única empresa ou país pode levar a desequilíbrios perigosos: “Os próximos anos vão testar a sociedade global: podemos empoderar as pessoas ou concentrar poder”.
Do mesmo evento em Nova Deli, veio também o anúncio de compromissos financeiros significativos por parte da Microsoft. A empresa informou que pretende destinar US$ 50 bilhões para reduzir a desigualdade no acesso e uso da inteligência artificial em economias em desenvolvimento até 2030. A declaração foi assinada pelo presidente Brad Smith e pela responsável de IA Natasha Crampton.
O compromisso de investimento de 50 bilhões é comparado ao aporte de cerca de 80 bilhões que a Microsoft aplicou em data centers no ano anterior, com mais da metade desse montante concentrado nos Estados Unidos — um lembrete de como a infraestrutura física da nuvem ainda desenha mapas de poder e acesso.
Estava prevista a participação de Bill Gates, cofundador da Microsoft, mas ele optou por não comparecer devido às controvérsias em curso ligadas a supostos laços com Jeffrey Epstein, um episódio que tem repercussões políticas e reputacionais entre figuras de alto perfil.
Na análise estrutural que proponho, esses anúncios revelam duas camadas: por um lado, a urgência normativa e a necessidade de um organismo internacional que funcione como coordenação técnica; por outro, a realidade da infraestrutura — data centers, capital e políticas públicas — que determinará quem terá acesso às próximas gerações de IA. Regulação sem atenção à distribuição da infraestrutura será insuficiente; da mesma forma, investimento sem regras claras pode ampliar riscos sistêmicos.
Enquanto a tecnologia avança em ritmo acelerado, as decisões tomadas agora definirão se a inteligência artificial atuará como um amplificador de bem-estar social ou como um ponto de concentração de poder. A escolha entre democratização e centralização não é apenas política, é arquitetural: molda o sistema nervoso das cidades e das economias do futuro.






















