Por Marco Severini – Espresso Italia
19/02/2026
Em um movimento que redesenha, ainda que simbolicamente, um dos vetores mais sensíveis da diplomacia britânica, a polícia do Reino Unido prendeu nesta quinta-feira (19) o ex-príncipe Andrew em sua residência, no que autoridades classificaram como parte de uma investigação sobre possíveis conexões com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, informou a BBC.
A força policial do Vale do Tâmisa comunicou ter detido um homem na casa dos 60 anos pela suspeita de má conduta no exercício de cargo público, após uma avaliação detalhada. Por protocolo, a corporação não divulgou o nome do detido — medida habitual destinada a preservar a integridade processual —, mas multiple veículos britânicos confirmaram tratar-se de Andrew Mountbatten-Windsor, que completou 66 anos nesta data.
Agentes também realizaram buscas em dois endereços vinculados ao suspeito: um em Berkshire, a oeste de Londres, e outro em Norfolk, no leste da Inglaterra. A polícia de Norfolk informou estar prestando apoio às operações em curso.
O subchefe de polícia Oliver Wright declarou: “Após uma avaliação minuciosa, agora abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta no exercício de cargo público. É importante que protejamos a integridade e a objetividade da nossa investigação enquanto trabalhamos com nossos parceiros para apurar esta suposta infração”.
O episódio ocorre cerca de uma semana após a abertura formal da investigação que busca apurar se o ex-príncipe, enquanto atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, teria enviado relatórios confidenciais a Jeffrey Epstein. A alegação, em termos institucionais, atinge o âmago da confiança depositada em representantes oficiais, tocando nos alicerces frágeis da diplomacia e da responsabilidade pública.
Segundo reportagens da BBC, caso seja considerado culpado de má conduta no exercício de cargo público, o réu poderia enfrentar pena que, em tese, prevê prisão perpétua em determinados enquadramentos legais britânicos. Fontes consultadas pela mídia apontam que Andrew deve ser mantido em uma cela de custódia padrão, sem tratamento especial, onde aguardará interrogatório; a legislação permite detenção por até 96 horas durante investigações dessa natureza.
Documentos e arquivos do caso Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA desde dezembro, incluem aparições do ex-príncipe em diversas imagens e registros. Entre o material liberado, há fotografias que mostram Andrew ajoelhado ao lado de uma mulher cujo rosto foi censurado. O conteúdo desses arquivos tem alimentado investigações e processos conexos ao redor do mundo.
Adicionalmente, Andrew foi acusado de agressões sexuais por Virginia Giuffre, principal testemunha no escândalo Epstein, que alega ter sido vítima ainda menor de idade. O ex-príncipe sempre negou veementemente tais acusações. À luz dos novos desdobramentos, o caso passa a integrar uma tensa interação entre responsabilidade criminal, responsabilidade pública e reputação institucional.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro — um teste sobre como instituições se posicionam quando figuras de alta visibilidade são implicadas em alegações que tocam interesses estatais e privados. A investigação seguirá em curso, e novas atualizações deverão chegar nas próximas horas conforme os procedimentos legais avançarem.
Marco Severini é analista sênior de geopolítica e estratégia internacional. Escreve para a Espresso Italia.






















