Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, em termos de projeção de poder, partes sensíveis do tabuleiro do Oriente Médio, os Estados Unidos ativaram um vasto desdobramento aéreo na região. Fontes de inteligência e dados de rastreamento de voo evidenciam o envio massivo de caças e aeronaves de apoio — o maior contingente aéreo norte-americano no teatro desde a invasão do Iraque em 2003.
Segundo relatos, a Casa Branca ainda não formalizou uma decisão sobre uma ação ofensiva direta contra o Irã. O presidente, conforme informado por veículos internacionais próximos a fontes oficiais, permanece indeciso sobre os objetivos estratégicos em jogo: interromper o programa nuclear iraniano, neutralizar a capacidade de mísseis balísticos de Teerã ou, em última instância, pressionar por uma mudança de regime.
Nos últimos dias foi registrado o deslocamento de modernos caças F-35 e F-22 para bases na região. Uma segunda porta-aviões, com esquadrões de ataque e aptidões de guerra eletrônica, encontra-se a caminho, acompanhada por aeronaves de comando e controle. Paralelamente, foram implantadas defesas aéreas consideradas essenciais para sustentar operações de maior duração.
Essa concentração de poder aéreo confere aos Estados Unidos capacidade para conduzir uma campanha aérea prolongada — semanas de operações — em contraste com ataques pontuais, como o episódio conhecido internamente como “Midnight Hammer”, ocorrido em junho e direcionado a três instalações nucleares iranianas. Autoridades militares americanas explicitam que a finalidade desse incremento logístico é ampliar as opções estratégicas, não necessariamente antecipar uma ordem de ataque.
Do lado iraniano, o diretor da Organização de Energia Atômica, Mohammad Eslami, reiterou com firmeza que nenhum Estado pode privar a República Islâmica do direito ao enriquecimento de urânio, essencial, segundo ele, ao ciclo do combustível nuclear. Em vídeo divulgado pela imprensa local, Eslami sublinhou que o desenvolvimento nuclear segue as normas da Agência Internacional de Energia Atômica e que o Irã reivindica o usufruto pacífico dessa tecnologia.
No cenário diplomático, a resposta internacional é de elevado risco. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, advertiu publicamente sobre as graves consequências de qualquer ação militar adicional contra o Irã, evocando a necessidade de moderação e a busca por soluções que permitam a Teerã manter um programa nuclear declarado como pacífico. Lavrov também assinalou o perigo real de um incidente nuclear em ataques a sítios sob supervisão da AIEA.
Observo, como analista, que estamos diante de um movimento estratégico que tem menos a ver com um único lance e mais com um reposicionamento de peças. A concentração de caças F-35 e F-22, o deslocamento de porta-aviões e o reforço das capacidades de defesa aérea equivalem a preparar várias linhas de ataque e dissuasão simultâneas — uma combinação que amplia a margem de manobra política de Washington, ao mesmo tempo em que eleva perigos de escalada regional.
As monarquias do Golfo e demais atores árabes acompanham com atenção cautelosa: ninguém quer uma escalada descontrolada. Em termos de estabilidade, a atual tectônica de poder exige, mais do que sinais de força, alicerces diplomáticos que evitem a propagação de um conflito que pode rapidamente transcender fronteiras e interesses localizados.
Como sempre, um equilíbrio sustentado exige mais do que deslocamento de meios: requer articulação política, garantias verificáveis e canais de descompressão entre as capitais envolvidas. No tabuleiro geopolítico, cada peça em movimento pede uma resposta calculada — e, por ora, a decisão final ainda está sobre a mesa de Washington.






















