Por Marco Severini — Um relatório recente do International Shark Attack File, compilado pelo Florida Program for Shark Research da Universidade da Flórida e divulgado pelo The Guardian, registra um aumento substancial nos ataques de tubarão não provocados em 2025. O total mundial subiu para 65 incidentes, contra 47 em 2024 — um acréscimo aproximado de 50% que exige leitura atenta das coordenadas deste novo padrão.
Os dados mostram também uma elevação nas mortes: foram 12 fatalidades atribuídas a mordidas de tubarão em 2025, quase o dobro das sete registradas no ano anterior. Entre os fatores apontados, destacam-se a biologia dos predadores, alterações nas condições climáticas e o aumento do número de pessoas no mar no momento dos encontros, segundo Gavin Naylor, diretor do programa.
É relevante observar que a média quinquenal aponta 61 incidentes, enquanto médias mais longas — 10, 20 e 30 anos — variam por apenas quatro eventos, e a média de óbitos se mantém em torno de seis por ano. Em termos estratégicos, a tendência global é relativamente estável; contudo, a tectônica regional dos incidentes oscila com intensidade, gerando hotspots cujo risco — como peças móveis num tabuleiro — concentra a atenção das autoridades.
O dado mais alarmante provém da Austrália: cinco das doze mortes ocorreram naquele país, que registrou 21 mordidas não provocadas em 2025. Em 2024, a Austrália contabilizou apenas nove mordidas não provocadas e nenhum óbito. Naylor ressalta que, se os incidentes tivessem ocorrido em locais com menor prontidão de resposta, o número de vítimas teria possivelmente sido maior. A infraestrutura de segurança nas praias australianas — helicópteros de resgate e equipes de intervenção rápida — funciona como um alicerce crucial para limitar perdas humanas.
Os Estados Unidos continuam no topo do ranking em número de ataques não provocados, com 25 registros em 2025 — três a menos que no ano anterior — e com uma vítima fatal confirmada: a triatleta Erica Fox, cujo corpo foi localizado em dezembro próximo a Santa Cruz, Califórnia, após desaparecer durante um treino de grupo.
No âmbito estadual, a Flórida mantém o triste protagonismo, respondendo por 11 ataques não provocados em solo norte-americano, mais que o dobro de qualquer outro estado. A contea de Volusia, na costa atlântica da Flórida, segue reconhecida como o ponto mais perigoso do mundo para mordidas de tubarão, tendo registrado seis desses incidentes — embora os números tenham mostrado ligeira retração em relação a anos anteriores. Califórnia e Havaí registraram quatro mordidas não provocadas cada; Carolina do Sul e Nova York tiveram dois cada; Carolina do Norte e Texas, um cada.
O relatório confirma ainda que, além das flutuações anuais, o padrão espacial dos ataques exige vigilância contínua: variações locais podem representar movimentos decisivos no tabuleiro de risco costeiro, exigindo respostas táticas de gestão de praias, políticas públicas e cooperação científica internacional.
Como analista de estratégia internacional, observo que esses números não são meras estatísticas isoladas, mas indicadores de mudanças ambientais e humanas que redesenham fronteiras invisíveis entre atividade humana e ecossistemas marinhos. A resposta adequada passa pela integração entre ciência, prontidão operacional e políticas públicas que preservem vidas sem perder de vista o equilíbrio ecológico.






















