Gianluca Gazzoli no Ariston: as Novas Propostas ganham voz e contexto
O Festival de Sanremo anunciou oficialmente que Gianluca Gazzoli será o apresentador das Nuove Proposte na 76ª edição do festival, subindo ao palco do Teatro Ariston nas noites de quarta-feira, 25 de fevereiro, e quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026. A confirmação chegou pelas redes sociais do próprio Festival, coroando a antecipação feita por Carlo Conti durante a conferência de ‘Sarà Sanremo’ e ecoando a comoção do vídeo viral em que Gazzoli descobre, em direto, a proposta e se emociona.
Nascido em 1988, Gianluca Gazzoli consolidou-se como uma das figuras mais multifacetadas do panorama mediático italiano: apresentador de televisão, radialista e podcaster. Sua trajetória lembra um roteiro de formação clássico, do trabalho de base na rádio local (Radio Number One) até as grandes emissoras nacionais. Depois de uma passagem pela Rai Radio 2, desde 2019 ele é uma voz central na Radio Deejay, conduzindo o programa noturno ‘Gazzology’.
No ecrã, Gazzoli acumula experiências em formatos variados, participando de programas como ‘The Voice’, ‘Quelli Che Il Calcio’ e ‘Domenica In’. Mais recentemente, apresentou ‘Ante Factor’ para o ‘XFactor’ (2023-2024) e o programa ‘Basket Zone’ na DMax. Em 2022, fundou o hub criativo BSMT, de onde nasceu o podcast ‘Passa dal BSMT’, hoje um dos talk podcasts mais ouvidos na Itália, com mais de 300 episódios e convidados de peso como Jared Leto, Ben Affleck, Valentino Rossi, Laura Pausini e Pierfrancesco Favino. O projeto ultrapassou 34 milhões de streams no Spotify e 500 milhões de visualizações no YouTube.
Além da presença mediática, Gazzoli é autor de dois livros: ‘Scosse – La mia vita a cuore libero’ (2021) e ‘Anche quando nessuno ci crede’ (2024). Esse perfil híbrido —entre rádio, televisão, podcast e autoralidade— o coloca como uma figura capaz de traduzir a geração contemporânea em narrativas que atravessam formatos e plataformas.
O convite para apresentar as Nuove Proposte não é apenas um passo na carreira de Gazzoli; funciona como um espelho do nosso tempo: o Festival de Sanremo busca, novamente, um mediador que entenda não só a canção, mas o ecossistema cultural que a sustenta. Em outras palavras, Gazzoli não chega apenas para anunciar nomes —ele chega com a sensibilidade de quem construiu diálogos entre artistas, ouvintes e audiências digitais. Seu histórico com podcasts e formatos híbridos traduz-se em competência para modular emoções ao vivo, situando os novos talentos em um contexto narrativo mais amplo.
Do ponto de vista simbólico, vê-se aqui um reframe da curadoria: escolher um comunicador que cresceu na era do streaming e das redes indica a vontade do Festival de conversar com públicos plurais, onde o palco do Ariston funciona como um cenário de transformação e recolocação cultural. Gazzoli, portanto, representa o roteiro oculto que liga tradição e contemporaneidade —o mediador que, com naturalidade, pode relacionar uma canção inédita ao imaginário coletivo.
Restará ao público e à crítica avaliar como essa escolha influenciará a recepção das Nuove Proposte. O fato, porém, é que Sanremo confirma sua aposta em vozes que operam além da superfície do entretenimento, valorizando quem consegue traduzir música em história e visibilidade em significado.






















