Por Stella Ferrari — Em uma apresentação que combina técnica e visão social, Valeria Vittimberga, Diretora-Geral do INPS, revelou o novo Portal da Parentalidade e da Família. Não se trata apenas de uma nova página institucional: é, nas palavras da gestora, um componente estratégico de um Estado que assume o papel de cuidador e facilitador, aliviando a complexidade de um momento vital que agrega beleza, responsabilidade e apreensões.
O portal nasce com um objetivo muito concreto: centralizar em um único espaço digital todos os serviços para pais e mães — desde os instrumentos já geridos pelo próprio INPS (como o assegno único, os diversos congedos, as indenizações de maternidade e paternidade, e os bônus e auxílios) até os serviços ofertados por outras administrações, com destaque para as iniciativas reforçadas pelo Ministério da Família, como os Centros para a Família e as redes territoriais de apoio.
Em um contexto onde a dificuldade muitas vezes não é a falta de políticas, mas a fragmentação da informação, a proposta é clara: ordenar, integrar e facilitar o acesso. Quem espera um filho — ou acabou de recebê-lo — não deveria perder-se entre normas, circulares e balcões distintos. O portal oferece uma navegação que pretende ser uma guia clara, personalizada e confiável, reduzindo atritos burocráticos no início de um percurso que impacta profundamente a vida das pessoas e da sociedade.
A iniciativa também reflete a concepção de proatividade institucional que o INPS busca implementar: não esperar que o cidadão encontre dificuldades para então reagir, mas acompanhar desde o primeiro instante, antecipando necessidades e oferecendo orientações. É uma calibragem de políticas que lembra o ajuste fino de um motor: o desenho das ferramentas públicas deve garantir aceleração quando necessário e freios quando for preciso corrigir rumos.
Vittimberga recorda que o nascimento de uma criança é simultaneamente um evento íntimo e um fato de profundo interesse público. Cada nova vida diz respeito à sustentabilidade demográfica, à capacidade de esperança da sociedade e à coesão social. As instituições precisam reconhecer a pluralidade das famílias — jovens, maduras, numerosas, monoparentais, conciliando trabalho e cuidado, ou atravessando trajetórias complexas — e oferecer respostas adequadas, sem rigidez ou opacidade.
O novo portal é também uma tradução prática dos princípios constitucionais: os artigos 29, 30 e 31 da Constituição reconhecem e protegem a família, incumbindo a República de facilitar sua formação e apoiar as funções educativas e de cuidado dos filhos. Com este instrumento digital, o INPS pretende tornar mais palpável esse mandamento, trabalhando em colaboração com o Ministério e outras administrações para construir condições que favoreçam quem decide gerar e criar uma vida.
Em termos de política pública, sustentar a natalidade não se limita a afinar indicadores demográficos; significa desenhar um ecossistema em que ter um filho não seja percebido como um salto no escuro, mas como uma escolha suportada por serviços integrados, informações acessíveis e redes de apoio locais. É uma operação de engenharia social e financeira: calibrar incentivos, simplificar processos e garantir que o motor da economia social funcione de modo eficiente para as famílias.
O Portal da Parentalidade representa, portanto, uma peça estratégica na arquitetura de políticas públicas voltadas à família. É um convite à co-responsabilidade entre Estado, territórios e cidadãos, desenhado para transformar fragmentação em sinergia e complexidade em acessibilidade. Em um país que busca recuperar ritmo demográfico e confiança social, iniciativas dessa natureza são parte da aceleração necessária para realinhar objetivos individuais e coletivos.






















