Cortemilia, vila de cerca de 2.100 habitantes na Alta Langa, apresenta um caso concreto de resistência ao processo de despovoamento. Em apuração direta e cruzamento de fontes, verifica-se que a intervenção empresarial conduzida por Paola Veglio, administradora delegada da Brovind Vibratori spa, está no centro de uma estratégia integrada que articula emprego, infraestrutura social e investimento industrial.
Em entrevista à Adnkronos/Labitalia, Veglio declarou o objetivo de transformar o borgo conhecido pela enogastronomia em um «polo tecnológico com desocupação zero». A primeira camada dessa estratégia é de natureza social: os funcionários da Brovind têm acesso prioritário à creche municipal, criada com forte participação do município de Cortemilia. A empresa assume integralmente a reta do nido dos trabalhadores, eliminando barreiras para a contratação de pais e mães na região.
Paralelamente ao welfare, houve intervenção direta no setor de hospitalidade local. Veglio reabriu um hotel e uma pizzaria no centro da vila — estruturas que faltavam há anos. O empreendimento tem função dupla: atender à demanda crescente de pessoal da Brovind e gerar tráfego para o comércio local. O hotel comporta até 60 empregados da empresa; o almoço desses funcionários passa a ser custeado em 80% pela empresa, segundo a dirigente.
O efeito multiplicador já é perceptível: a presença do hotel em posição central dinamiza o comércio e facilita a abertura de novos pontos de venda, muitos geridos por jovens empreendedores. Esse movimento local reforça a tese — confirmada pelo cruzamento de dados com a prefeitura — de que intervenções privadas coordenadas podem reverter tendências de estagnação econômica em pequenos centros.
Em termos industriais, Veglio está à frente de um plano de requalificação do ex polo Miroglio, uma área abandonada de 33.000 m² que será adaptada para abrigar linhas de produção da Brovind. O projeto, escalado para automação e independência energética, prevê um investimento de 12 milhões. Trata-se, na avaliação da direção, de um esforço necessário para garantir crescimento sustentável e maior atenção ao welfare interno.
Para atrair e reter jovens, a empresa mantém parcerias com escolas locais, oferecendo programas de formação técnica e estágios. Essa articulação entre educação e indústria é apresentada pela administração como condição essencial para a viabilização do plano de emprego local.
Conclusão do levantamento: o caso de Cortemilia não é apenas uma ação filantrópica, mas uma política empresarial integrada — combinando welfare, serviços locais e investimento industrial — que busca criar massa crítica econômica e social capaz de sustentar o território. A clareza dos números e a documentação disponível indicam que o modelo adotado por Veglio e a Brovind pode servir de referência para outras comunidades em risco de perda populacional.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e fatos brutos: a realidade traduzida em medidas objetivas para manter um borgo vivo.






















