Por Chiara Lombardi, Espresso Italia — O episódio conclusivo da terceira temporada de Cuori, transmitido ontem pela Rai1, confirmou o status da série como espelho do nosso tempo televisivo: 3.034.000 espectadores e 17,8% de share tornaram o final o programa mais acompanhado do prime time. Não é apenas um dado de audiência; é um reframe da recepção coletiva, um pequeno ritual noturno que conecta memórias e expectativas.
Em segundo lugar ficou Colpa dei Sensi, no Canale 5, com 2.078.000 espectadores e 13,8% de share — um número que confirma a resiliência do melodrama num mercado fragmentado. Curiosamente, o terceiro posto coube às Olimpiadi Invernali Milano-Cortina 2026, em Rai2, com o programa de Pattinaggio Artistico alcançando 2.160.000 espectadores e 11,6% de share: o desporto como narrativa partilhada, um outro tipo de dramaturgia que compete com a ficção pela atenção do público.
Entre os demais destaques de prime time encontramos um painel variado, que desenha o mosaico televisivo contemporâneo: Le Iene presentano: Inside (Italia 1) reuniu 1.096.000 espectadores, com 9,4% de share; o programa DiMartedì (La7) registou 1.360.000 espectadores e 8,3% de share na primeira parte, e 511.000 espectadores com 9,2% na parte final, intitulada DiMartedì Più. Na Rai3, FarWest obteve 578.000 espectadores (3,8%), enquanto em Rete4 o programa È Sempre Cartabianca marcou 531.000 espectadores e 4,1% de share.
O entretenimento leve e os formatos de caça ao tesouro também ganharam espaço: Cash or Trash – La Notte dei Tesori (Nove) somou 437.000 espectadores com 2,7%, e The Idea of You (TV8) teve 246.000 espectadores e 1,4% de share. Juntos, esses números traçam um mapa onde proposta editorial e identidade de canal se confrontam na busca por públicos específicos.
No access prime time, a briga foi quase fotográfica: La Ruota della Fortuna (Canale 5) marcou 4.733.000 espectadores e 22% de share, enquanto Affari Tuoi (Rai1) ficou muito próximo, com 4.723.000 espectadores e 21,8% de share. Dois formatos clássicos, lado a lado, a disputar a primeira tomada do pré-primetime — como uma longa cena de abertura em que cada segundo conta.
Mais do que números frios, estes relatórios são cenas de um roteiro oculto da sociedade: mostram preferências, territórios de identificação e a persistência de formatos que continuam a moldar conversas públicas. O final de Cuori 3 não vence apenas pela soma de espectadores; vence por reafirmar que a ficção bem construída ainda é capaz de ser ponto de encontro e reflexão. Afinal, a televisão continua a ser um espelho multifacetado do nosso zeitgeist — ora desportivo, ora melodramático, ora competitivo.
Enquanto analista cultural, observo que esses dados não só medem audiência, mas também narram prioridades culturais: entre jogos, discussões políticas e histórias pessoais, o público escolhe como compor sua noite — e, nessa escolha, revela algo sobre si.






















