Por Chiara Lombardi — Em um gesto que mistura responsabilidade social e um olhar quase cinematográfico sobre o futuro, Achille Lauro apresenta a Fundação Madre, iniciativa concebida em parceria com o empresário Andrea Marchiori para amparar jovens frágeis e oferecer trajetórias possíveis de cuidado, escuta e renascimento. A apresentação aconteceu na Biblioteca Braidense, ligada à Pinacoteca di Brera, em Milão — cenário escolhido não por acaso, mas como moldura simbólica do que se pretende: arte e acolhimento caminhando juntos.
A Fundação Madre nasce como uma fundação de participação, estruturada para durar e para colocar a pessoa e a dignidade humana no centro de sua ação. O nome, que invoca a imagem da mãe, é proposital: remete a proteção, cuidado e acolhimento; o logotipo — uma borboleta — traduz a ideia de transformação e renascimento, metáforas que atravessam o projeto como um roteiro de humanidade.
A direção geral fica sob a responsabilidade de Lorella Marcantoni, que contará com um comitê técnico-científico formado por Clementina Cordero di Montezemolo, Arnoldo Mosca Mondadori e Giuliana Baldassarre. A intenção é clara: atuar de forma integrada com outras realidades do terceiro setor, ampliando o alcance e tecendo uma rede de suporte que não se limite a iniciativas isoladas.
Durante a apresentação, Achille Lauro explicou as motivações por trás da Fundação: “É dever de cada um de nós reconhecer que há muitas pessoas em dificuldade e que, na proporção do que possuímos, devemos estar ao serviço dos outros.” Lauro lembrou também a educação recebida em casa — “fui criado por uma mãe que me ensinou o valor do acolhimento e de retribuir” — e a sensação de dever de transformar privilégios pessoais em oportunidades coletivas.
O artista recordou que esse envolvimento social não é um ato pontual, mas uma prática de longa data: “Já são cinco anos que visito jovens em hospitais e em prisões”, disse. Mesmo pequenas horas de lazer e atenção podem representar um presente imenso para crianças gravemente doentes ou para adolescentes afastados dos percursos tradicionais de suporte. Esse ethos de cuidado aí se encontra com a ideia de comunidade: um reframe da ação social que busca operar em rede e em parceria.
A relação com Andrea Marchiori, descrita por Lauro como uma amizade profunda e um encontro de propósitos, é apresentada como um motor para o projeto: “É uma pessoa feita para ficar; compartilhamos a mesma vontade de fazer e deixar um sinal duradouro.” A ambição declarada é dupla: impactar tanto na prática (atendimento, programas e acompanhamento) quanto na divulgação e sensibilização cultural em torno das fragilidades juvenis.
Do ponto de vista simbólico, a borboleta do logo funciona como espelho do tempo: lembra-nos que a mudança é possível quando existe cuidado contínuo e um ambiente que permita a metamorfose. Assim, a Fundação Madre surge como um cenário de transformação, onde a arte de escutar e a ciência do acolhimento se entrelaçam para construir rotas de reinvenção.
Para quem observa o entrelaçar entre cultura e responsabilidade social, este lançamento não é apenas o anúncio de um novo ente filantrópico. É o roteiro oculto de uma figura pública que desloca fama e recursos para o campo do cuidado — uma decisão que reflete, em microcena, demandas maiores de nossa sociedade: como preservar a dignidade humana em tempos de fragilidade e como criar dispositivos coletivos que permitam histórias de renascimento.
A Fundação Madre promete, portanto, mais do que ações pontuais: quer estruturar programas que sobrevivam ao ciclo das atenções mediáticas, apostando na continuidade, na integração e na construção de comunidades solidárias. E, enquanto o projeto desemboca em práticas concretas, permanece a imagem de Lauro não apenas como artista, mas como um produtor de sentido social — alguém que busca devolver o que recebeu, transformando memória e afeto em projetos reais.






















