Por Chiara Lombardi, Espresso Italia — A poucos dias do início do Festival de Sanremo, o apresentador e showman Fiorello voltou a provocar o público com suas previsões e piadas afiadas durante o novo episódio de La Pennicanza, que nos dias do evento será rebatizado de La Sanremanza. Com tom de brincadeira e um olhar que mistura memória pop e análise cultural, Fiorello declarou, entre risos e imitações: “Eu já sei como vai acabar. Vencerão Fedez e Masini. Ditonellapiaga em segundo, Serena Brancale em terceiro. Se isso acontecer, nos prendem todos. Mas eu… tenho provas” — e emendou uma caricatura de Fabrizio Corona.
A peça trouxe ainda informações sobre possíveis convidados da fase final: circulam nomes como Panariello e Pieraccioni, o que fez Fiorello comentar, em tom irônico, a recente videochamada com Carlo Conti, condutor e diretor artístico da kermesse: “Carlo, então você realmente é um mentiroso. Você tinha dito que não…”. A cena funciona como um backstage à vista, um roteiro oculto da festa televisiva que alimenta expectativa e aumento da audiência.
Em um segmento intitulado “Sanremo Story”, Fiorello resgatou a memória do histórico show dos Queen em 1984, lembrando que já subiu ao palco do festival nove vezes: “Cada vez que piso ali penso ‘aqui o Freddie caminhou'”. É uma dessas imagens que transforma o palco em espelho do nosso tempo: a lembrança do icônico vocalista projeta uma aura que transcende gerações e confere ao festival um eco cultural único.
O tom satírico continuou com uma falsa interrupção do “Tg1” de Carlo Conti, anunciando uma mudança inédita no regulamento: o vencedor absoluto seria revelado somente na última noite, a do sábado — uma aposta na suspense e nos números de audiência que Conti, na brincadeira, assumiria como risco calculado.
Outro número chamou atenção pela discussão sobre tecnologia e criação artística: Fiorello revelou que a equipe usou os textos divulgados de Elettra Lamborghini para gerar uma música com inteligência artificial e tocá-la no programa. É um pequeno reframe sobre autoria e pop digital — uma semiótica do viral que provoca e questiona limites entre humano e algoritmo.
O bate-papo se estendeu à programação televisiva: segundo Fiorello, está por vir o retorno de Canzonissima, além de ressurgimentos de formatos como Stranamore, Il Gioco delle Coppie e Ok, il prezzo è giusto nas redes da Mediaset. A ironia ganhou relevo com uma chamada fictícia do presidente Mattarella, que confessou em tom de sátira sua admiração por Raffaella Carrà, rememorando o poster na parede do quarto, as horas gastas a olhar o famoso “ombelico” televisivo e as dancinhas do “Tuca Tuca” — um relato que mistura autobiografia jocosa e o hábito cultural de guardar imagens do passado.
Fiorello entregou, portanto, um show que é muito mais do que piadas: é uma cápsula que reconstrói narrativas do entretenimento italiano, questiona a relação entre tradição e inovação e transforma o palco de Sanremo num pequeno teatro que reflete o procedimento coletivo de recordar e reinventar. No roteiro informal que ele propõe, a televisão volta a ser um cenário de transformação — ora faroeste, ora espelho — onde a memória e a modernidade disputam o protagonismo.






















