Da recente audiência de aizoOn na Comissão de Assuntos Europeus da Câmara dos Deputados italiana emergiu com clareza a urgência de um quadro regulatório uniforme e de infraestruturas tecnológicas autônomas para preservar a competitividade e a resiliência das empresas na União Europeia. No centro do debate estiveram propostas legislativas-chave, como o pacote Omnibus e o Portfólio Europeu das Empresas (COM(2025) 836 final, 837 final, 838 final), que, se mal calibradas, correm o risco de aumentar a complexidade burocrática em vez de reduzi-la.
Para operadores com presença internacional, como aizoOn e ai.esra, a gestão de vinte e sete regimes legislativos distintos representa um custo operacional e um freno à velocidade de resposta diante de desafios globais. A mensagem foi técnica e direta: a simplificação normativa não é apenas uma questão administrativa, é um elemento estrutural do ecossistema digital europeu.
“Simplificação definitivamente, norma única definitivamente… o que hoje é necessário são os equilíbrios geopolíticos que nos empurram — e nós queremos ser promotores disto — a alcançar aquela que é uma soberania digital. A Europa deve construir tudo o que a tecnologia permite para que empresas como a nossa desenvolvam novas tecnologias e as usem da melhor forma em solo europeu”, declarou Massimo Centofanti, Cybersecurity Division Director da aizoOn Technology Consulting e Chief Strategy Innovation Officer & Co-founder de ai.esra.
Centofanti sublinhou outro ponto crítico: mesmo quando a inovação europeia é de alto nível, muitas soluções acabam por operar sobre infraestruturas não europeias, principalmente do bloco ocidental e, por vezes, de blocos orientais. Essa dependência de plataformas e centros de dados externos fragiliza o poder de decisão europeu e reduz a autonomia operacional em áreas sensíveis como cibersegurança e inteligência artificial.
Da audiência também saiu um apelo estratégico: investimento em laboratórios e ecossistemas de pesquisa europeus. Essas infraestruturas são o terreno fértil onde ideias podem ser testadas, escaladas e integradas de forma cooperativa. Hoje, numerosas startups inovadoras europeias são forçadas a emigrar para os Estados Unidos em busca de ecossistemas de pesquisa e financiamento mais maduros — uma perda de talento que fragiliza os alicerces digitais europeus.
Em termos práticos, a receita apresentada pelos especialistas passa por três frentes coordenadas: 1) uma agenda regulatória que promova uma norma única de aplicabilidade na UE; 2) construção de infraestruturas físicas e digitais (data centers, redes, clouds de confiança) que reduzam a dependência externa; 3) criação de polos de pesquisa e incubação que mantenham capital humano e tecnológico na Europa.
Como analista que observa a arquitetura digital europeia, vejo essa tríade como as camadas de um mesmo projeto: sem um alicerce regulatório estável e uma base física soberana, os esforços de inovação permanecem fragmentados. A meta não é a autossuficiência idealista, mas uma soberania digital pragmática que torne o continente capaz de definir regras, proteger fluxos críticos de dados e garantir que o fluxo de dados opere como um sistema nervoso resiliente e seguro para cidades, empresas e instituições.
Em suma, a discussão em Roma revelou que a próxima etapa de competitividade europeia não será decidida apenas em laboratórios, mas nos textos das normas e nas decisões sobre onde assentaremos os nossos centros de processamento — os verdadeiros alicerces digitais do futuro.






















