Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — Em um gesto que mistura proximidade institucional e calor humano, o ministro da Defesa Guido Crosetto contou aos jornalistas que passou a manhã tomando café com o pai do político Angelo Bonelli, um homem de 102 anos com passado como ex-carabinieri e atuação em episódios marcantes da história nacional.
Relatou Crosetto, ao ser abordado no Transatlantico em Montecitorio depois do question time, que havia recebido uma carta: “Recebi a carta de um senhor que me escreveu que hoje faria 102 anos, que era um ex-carabinieri e que teria prazer em tomar o café esta manhã com o ministro da Defesa”.
“E então hoje peguei o carro e às 8h10 eu estava na casa dele para tomar o café em Acilia, perto de Roma”, disse o ministro. Crosetto destacou que o homem é o pai de Angelo Bonelli e que, por cortesia, pediu autorização a Angelo antes de revelar o encontro — que contou ainda com a presença do próprio filho. “A coisa me encheu de prazer”, acrescentou.
Ao descrever a figura do veterano, Crosetto sublinhou a trajetória de vida que atravessou momentos-chave: “Fez mais prazer a mim do que a seu pai, um homem de 102 anos, que fez a Segunda Guerra Mundial, trabalhou na busca pelo bandido Giuliano, escreveu a história da Itália e está de cabeça muito melhor que a minha…”.
O episódio é emblemático por duas razões. Primeiro, porque revela a dimensão humana por trás da rotina parlamentar — a autoridade que desce do gabinete e atravessa a cidade para compartilhar um gesto simples: o café. Segundo, porque ilumina as camadas da memória coletiva: um veterano que participou de episódios decisivos para a construção dos alicerces do país, hoje senta-se à mesa com quem exerce o peso da caneta nos assuntos da Defesa.
Na prática jornalística que privilegia a construção de direitos e a ponte entre instituições e cidadãos, este encontro funciona como uma peça simbólica da arquitetura do vínculo cívico. Não se trata apenas de uma anedota agradável; é a materialização do princípio de que decisões públicas devem permanecer conectadas à experiência real das pessoas — especialmente daqueles que, com sua vida, ajudaram a erguer as bases do Estado.
Em um momento político em que as imagens públicas frequentemente se transformam em retórica vazia, o relato de Crosetto oferece um contraponto: a política como serviço e como respeito pela memória. Um ministro que, ao receber uma carta simples, desloca-se para compartilhar um café demonstra, sem alarde, que há ainda espaço para derrubar barreiras burocráticas e restituir dignidade.
O encontro entre Guido Crosetto e o pai de Angelo Bonelli será lembrado sobretudo como um gesto simbólico — um momento em que a representação política reencontra as ruas e a história viva de quem ajudou a escrever a Itália contemporânea.






















