Por Alessandro Vittorio Romano para Espresso Italia
Na Itália, a mortalidade por câncer de mama continua em declínio: nos últimos cinco anos houve uma redução de aproximadamente 6%, fruto da difusão dos programas de diagnóstico precoce e dos constantes avanços terapêuticos. Hoje, a sopravvivenza a cinque anni — ou sobrevida líquida em cinco anos — ultrapassa os 88% em nível nacional.
Os números ganham cores quando olhamos para as fases iniciais da doença: nas formas diagnosticadas precocemente, a sobrevida aos cinco anos supera os 95%, sinal de que o rastreamento e a atenção clínica podem transformar o quadro prognóstico como a chuva que reanima uma colheita miúda.
Os dados foram destacados na abertura, em Udine, da 23ª edição do congresso nacional “Focus sul carcinoma mammario”, evento que há mais de vinte anos faz a ponte entre a pesquisa e o tratamento clínico. Segundo Fabio Puglisi, professor ordinário de oncologia médica da Universidade de Udine e diretor do departamento de oncologia médica do IRCCS CRO de Aviano, “a cada ano registram-se mais de 53.000 novos casos de câncer da mama na Itália, dos quais cerca de 1.300 no Friuli Venezia Giulia”. São números que pedem acolhimento científico e políticas públicas consistentes.
Além da melhora geral, há progresso nas fases mais complexas da doença: tratamentos dirigidos, terapias combinadas e cuidados integrados têm ampliado a sobrevida e a qualidade de vida das pacientes. Pense nisso como a poda cuidadosa que permite a planta crescer mais forte — não apaga a tempestade, mas prepara raízes mais profundas.
Os especialistas reunidos em Udine também ressaltam a importância de manter e ampliar o acesso aos programas de rastreamento, à formação das equipes de saúde e à inovação terapêutica. Em cada região, a respiração do sistema de saúde influencia o desfecho: onde o rastreio é mais acessível e as terapias mais disponíveis, a queda na mortalidade é mais sensível.
Do ponto de vista humano, não se trata apenas de estatística, mas de vidas redesenhadas. A combinação de prevenção, diagnóstico precoce e terapias avançadas converte ansiedade em esperança prática. Para quem acompanha essa jornada, há um mapa de cuidados que começa na atenção primária e se estende até as terapias especializadas, envolvendo também suporte psicológico e reabilitação.
As metáforas da natureza ajudam a traduzir esse avanço: se a saúde coletiva fosse um jardim, estaríamos colhendo os frutos de anos de plantio — campanhas de informação, investimentos em tecnologia e a lenta, porém persistente, mudança de hábitos. Ainda há caminhos a percorrer, sobretudo na equidade de acesso entre regiões, mas a direção é clara.
Enquanto o congresso em Udine discute novos protocolos e estudos, a mensagem que fica é de vigilância ativa: realizar exames periódicos, conhecer os sinais precoces e manter diálogo aberto com os profissionais de saúde. Assim, cada gesto preventivo contribui para reduzir a mortalidade e aumentar a qualidade de vida.
Em essência, a queda de 6% na mortalidade é uma pequena vitória concreta no grande ciclo do cuidado — um sopro de esperança que convida à continuidade dos esforços, da pesquisa à prática cotidiana.






















