Em Roma, o Decreto Bollette chegou ao Consiglio dei Ministri (CdM) com a promessa de aliviar o peso das contas, mas também com críticas e dúvidas que expõem fissuras na construção de direitos para famílias e empresas. O vice‑primeiro‑ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, confirmou a medida aos jornalistas no Senado e sublinhou: “reduzir os custos da energia para cidadãos e empresas é uma prioridade, porque a competitividade do nosso sistema industrial está ligada ao custo excessivo das bollette”.
Do lado do governo, o porta‑voz de Forza Italia, Raffaele Nevi, detalhou no programa Aria Che Tira (La7) os objetivos do decreto: uma redução das bollette em cerca de 50% para quem tem ISEE baixo e uma diminuição em torno de 20% para as empresas, buscando alinhar a Itália à média europeia. Nevi aproveitou para recordar as medidas já tomadas, mencionando o apoio direto às famílias — um subsídio de 200 euros que, segundo ele, será elevado para 300 euros para as famílias mais fragilizadas.
Mas a proposta de Roma não encontra consenso. A oposição, encabeçada pelo Movimento 5 Stelle, descreve a bozza do decreto como um conjunto confuso de soluções provisórias. Os deputados Emma Pavanelli e Enrico Cappelletti, membros da comissão de Atividades Produtivas da Câmara, criticaram o texto em nota: após meses de anúncios e dois anos em que os italianos suportam a fatura alta das contas, o governo ainda não teria apresentado respostas estruturais.
Na visão dos pentastellati, o decreto contém «mais pontos de interrogação do que soluções». Segundo Pavanelli e Cappelletti, medidas temporárias e benefícios provisórios não bastam: faltam intervenções de fundo que possam realmente derrubar barreiras burocráticas e reformar o mercado energético. Entre as ausências apontadas, estão propostas já defendidas no passado pelos mesmos M5S: o disaccoppiamento dos preços da eletricidade produzida por fontes renováveis dos preços do gás, a taxação dos extra‑profitti energéticos e a reforma dos preços zonais.
Os parlamentares também alertam para a preocupação de categorias produtivas, como a Confartigianato, e para os possíveis efeitos sobre os atores do terceiro setor (ETS). Na bozza consta ainda a possibilidade de isentar algumas empresas do pagamento das quotas do sistema europeu ETS, uma medida que provoca debate sobre equidade e competitividade.
Enquanto o governo fala em cortes e ajustes imediatos, a oposição reclama por um plano que olhe adiante: medidas estruturais, escutas com especialistas e associações de categoria para erguer alicerces duradouros, e não paliativos. O noticiário revela, assim, uma espécie de ponte ainda por consolidar entre a decisão política e o impacto real na vida das famílias e das pequenas e médias empresas — a arquitetura do voto encontra aqui o peso da caneta do Executivo.
O Decreto Bollette segue em tramitação e promete ser tema de debates acalorados: de um lado, a promessa de alívio imediato para quem mais sofre com as contas; do outro, o pedido por reformas que evitem que, amanhã, o sistema volte a sofrer com as mesmas falhas. A sociedade civil observa e exige respostas concretas — porque, mais do que medidas simbólicas, servem intervenções que sustentem a economia real e protejam os lares italianos de choques futuros.






















