Por Alessandro Vittorio Romano — Em um diálogo sensível com os desafios do cotidiano italiano, Alessandro Vergallo, presidente da Aaroi-Emac (Associação dos anestesistas e reanimadores hospitalares italianos – Emergência área crítica), desenhou hoje em Roma uma visão que mais parece cuidar de um jardim: o do capital humano do Serviço Nacional de Saúde (SSN).
No encontro realizado no Palazzo Wedekind, durante o congresso “Lavoro e capitale umano: le sfide per il futuro”, Vergallo propôs a expressão “cura do capital humano” para sintetizar a necessidade de identificar e nutrir os recursos humanos essenciais ao sistema. A mensagem é clara e coletivamente orientada: só por meio de estratégias partilhadas — entre forças políticas, representações sindicais, profissionais e, sobretudo, representantes dos cidadãos — será possível alcançar os objetivos de bem-estar e assistência que a sociedade espera.
Como um jardineiro que pensa nas estações, Vergallo sublinhou a importância de modelos que garantam o bem-estar dos trabalhadores. Para ele, as organizações de trabalho devem proteger a vida privada e cultivar a satisfação de exercer uma atividade que, conforme a Constituição, é expressão de um direito fundamental da pessoa. Sem este solo fértil, alertou, o SSN corre o risco de ver minguarem as capacidades necessárias para responder aos cuidados demandados pela população.
O presidente da Aaroi-Emac defende, ainda, a necessidade política de investir continuamente no pessoal como capital humano. A retomada e o fortalecimento do SSN só serão possíveis se houver vontade política de financiar e valorizar quem presta o cuidado: profissionais cuja presença e qualificação são pré-requisitos para que diagnósticos, terapias e prevenção cheguem ao cidadão.
Outro ponto trazido à mesa foi a programação da formação médica, especialmente a de nível especialista. Vergallo recordou que, depois de anos de atenção insuficiente, agora há uma corrida para remediar o tempo perdido — mas os efeitos desses reparos só serão colhidos daqui a alguns anos, quando o sistema de recrutamento estiver plenamente em funcionamento.
Por fim, Vergallo apelou por modelos organizativos que valorizem competências multiprofissionais e multidisciplinares, evitando sobreposições que alimentariam conflitos desnecessários. A proposta é um desenho inclusivo onde todos os profissionais se insiram em favor das etapas do cuidado — prevenção, diagnóstico e terapia —, sem sacrificar a qualidade e a segurança das prestações.
Na voz de quem observa a respiração da cidade e os ritmos das estações, a proposta de Vergallo soa como uma colheita de hábitos: investir nas raízes humanas para que o jardim do SSN floresça de forma sustentável e sensível às necessidades de cada cidadão.






















